HUMANOS OU DEUSES?


 A Sugestão da Serpente

A primeira vez que alguém sugeriu que o homem poderia um dia chegar a ser Deus aconteceu no jardim do Éden. E quem o sugeriu foi Satanás. Ao tentar Eva para que comesse do fruto da árvore, proibido por Deus, o tentador disse-lhe: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3:1-5). Desde os primórdios da civilização até os dias atuais muitos têm levado a sério a sugestão de Satanás.

A crença de que o homem após a morte poderá vir a ser Deus é defendida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons) desde o seu início. Muitos dentro do movimento da Nova Era estão, também, sem qualquer relutância, espalhando a idéia de que são deuses.

Os grupos acima mencionados são exemplos do que podemos considerar como seitas heréticas fora da igreja cristã. Infelizmente, quando se trata do movimento da fé, estamos falando de heresias de dentro da igreja, que constituem, portanto, algo muito mais perigoso. Dentro da confissão positiva há aqueles que também se deixaram enganar pela serpente e hoje estão proclamando a deidade do homem. Vejamos alguns exemplos:

Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi. Cada homem que nasceu de Deus é uma encarnação e o cristianismo é um milagre. O crente é uma encarnação tanto quanto o foi Jesus de Nazaré (Kenneth Hagin, Word of Faith, dezembro, 1980, p. 14).

Fisicamente, nascemos de pais humanos e participamos da sua natureza. Espiritualmente, nascemos de Deus e participamos da Sua natureza (Kenneth Hagin, Como Ser Dirigido Pelo Espírito de Deus, p. 96).

Até que compreendamos que somos pequenos deuses e comecemos a agir como pequenos deuses, não podemos manifestar o reino de Deus (Earl Paulk, Satan Unmasked, 1984, p. 97).

Você não tem um deus dentro de você. Você e um deus (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56).

Cachorros geram cachorros, gatos geram gatos e Deus gera deuses (K. Copeland, no programa Praise The Lord, Trinity Broadcasting Network. Fita nos arquivos do ICP).

Mediante o novo nascimento tornamo-nos membros bonafide da família cósmica original (Efésios 3:15), verdadeiros filhos gerados de Deus (1 João 3:2), “co-participantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4), gerados de Deus, impregnados de seus “genes” (não está implícita nenhuma relação física), chamados a semente ou “esperma” de Deus (1 João 5:1, 18 e 1 Pedro 1:3, 23), trazendo a hereditariedade divina. Assim, mediante o novo nascimento — e falo reverentemente — tornamo-nos o “parente” da Trindade, uma espécie de “extensão” da Divindade.37

Há muitas outras declarações de Kenneth Hagin que são realmente preocupantes e algumas soam até como blasfêmias. As seguintes foram extraídas de um de seus livros mais recentes, Zoe: A Própria Vida de Deus:

Esta vida eterna que Ele veio nos dar é a natureza de Deus (p. 9).

Na realidade, eis o que é a vida eterna: Deus comunicando toda a sua natureza, substância e ser aos nossos espíritos (p. 10)

Já sabemos, portanto, que o homem é espírito. Sendo espírito, encontra-se na mesma categoria de Deus, porque Deus é espírito (p. 15).

Louvado seja Deus! Isto me foi concedido, porque tenho a vida e a natureza de Deus (p. 29)

O Senhor fez o homem como o Seu substituto aqui na terra… O homem era Senhor… Vivia em termos de igualdade com o Criador (pp. 50, 51).

Muitos membros do Evangelho Pleno não sabem, por exemplo, que o novo nascimento é a real participação na natureza divina. Não sabem ainda que são filhos e filhas de Deus tanto quanto o próprio Jesus (p. 55).

Jesus foi primeiramente divino e depois humano. E, na carne, Ele foi um ser divino-humano. Quanto a mim, fui primeiramente humano como você, mas eu nasci de Deus. E, desta maneira, tornei-me num ser humanodivino! (p. 55).

Eis quem somos: somos Cristo! (p. 57).

Se bem atentarmos, verificaremos que Adão era o deus deste mundo 

(p. 64).

Se eu permanecer em Deus e junto dEle, meus direitos estarão plenamente assegurados. Ninguém poderá oferecer-me nada melhor. Nem o próprio Senhor Jesus tem uma posição melhor diante de Deus do que você e eu temos (p. 79).38

Observe a última declaração acima. Creio que Hagin foi longe demais. Como pode Jesus ser o nosso mediador (1 Timóteo 2:5) se ele mesmo não tem uma posição melhor diante de Deus do que você e eu? Ao contrário do que diz Hagin, a Bíblia afirma que Jesus, “depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas” (Hebreus 1:3). Veja ainda Filipenses 2:9-11.

Miguel Ângelo também ensina a divindade do cristão em seus escritos e pregações. Veja o que ele diz sobre 1 João 4:17, no sermão Vós Sois Deuses (22.9-91, domingo de manhã, nº 138): “Pois segundo Ele é, também nós somos neste mundo. Tu és aquilo que Cristo foi neste mundo. Amém?”. Há outras afirmações absurdas neste mesmo sermão tais como: “Esta é uma congregação divina. Esta é uma congregação de deuses. Eu exijo ao mundo espiritual: respeitem a congregação divina”; “Deus se multiplicou. Cada um de nós é um pedaço de Deus” (fita cassete nos arquivos do ICP).

Num artigo intitulado Ye Are Gods? (Vós Sois Deuses?), Robert Bowman refuta a posição dos pregadores da confissão positiva de que os pais da Igreja Primitiva também defendiam a divindade dos cristãos. Bowman esclarece:

Ao sustentar o monoteísmo, os ortodoxos orientais não ensinam que os homens se tornarão literalmente “deuses” (o que seria politeísmo). Ao contrário, muitos pais da Igreja ensinaram que os homens são 

“divinizados” no sentido de que o Espírito Santo habita dentro do cristão e o transforma à imagem de Deus em Cristo, dotando-o, finalmente, na ressurreição, de imortalidade e do caráter moral perfeito de Deus.39

Além dos pais da Igreja, os pregadores do movimento da fé tentam também buscar apoio para este ensino na própria Bíblia. Um texto muito citado encontra-se nos salmos “Eu disse: Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo” (Salmo 82:6). Esta passagem seria mais tarde citada por Jesus em João 10:34.

Ora, no Salmo 82:6, o Senhor está-se dirigindo aos juízes de Israel, que, a exemplo de Moisés em Êxodo 4:16, são considerados como representantes de Deus. Devido às injustiças cometidas por esses juízes, são agora alvo de repreensão Observe o comentário de Bowman sobre esta passagem:

Uma interpretação alternativa concorda que os “deuses” são juízes israelitas, mas considera o uso do termo “deuses” como uma figura de linguagem conhecida como ironia. Ironia é um recurso de retórica em que alguma coisa é dita de tal maneira a fazer com que a asserção pareça ridícula (compare com a ironia de Paulo, “chegastes a reinar sem nós”, em 1 Coríntios 4:8, onde o que Paulo afirma é que eles não se tornaram reis). 

De acordo com esta interpretação, a descrição paralela de “deuses” como “filhos do Altíssimo” (que, como se discute, não adota o uso do termo veterotestamentário “filhos de Deus”), a condenação dos juizes por causa de ímpios julgamentos, e, especialmente, a declaração: “Todavia, como homens, morrereis” (v. 7), apontam para a conclusão de que os juizes estão sendo chamados de “deuses” ironicamente.40

O cristianismo, que tem suas raízes no judaísmo, é de caráter estritamente monoteísta. Qualquer judeu que levasse a sério a religião judaica jamais esqueceria Deuteronômio 6:4: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR”. Veja ainda Deuteronômio 32:39; 2 

Samuel 22:32; Isaías 37:20; 43:10; 44:6, 8; 46:9; Romanos 3:30; Gálatas 3:20.

Como Entender “Participantes da Natureza Divina”?

Outra passagem favorita da confissão positiva é 2 Pedro 1:4: “pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e, mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”.

Marilyn Hickey afirma com muita ousadia:

Mas nós, agora, temos a natureza de Deus, e isso nos torna participantes de todos os seus atributos… 41.

Já tive a oportunidade de ouvir Valnice Milhomens dizer num de seus programas de televisão: “Deus assumiu a natureza humana para que o homem assuma a natureza divina” e que “Cristo tornou-se o que nós somos para que nós nos tornemos o que Ele é”. Noutro de seus programas, Valnice tentou se defender, comentando que algumas pessoas disseram que ela estava ensinando que somos deuses. Declarou ela: “Isto não é verdade. Eu nunca disse isso. E a Palavra quem o diz”, e, para confirmar, citou logo em seguida o texto de 2 Pedro 1:4.

Nesta passagem, Pedro está falando do caráter ou natureza moral de Deus. Assim, os cristãos, à medida que escapam da corrupção do mundo, passam a demonstrar os atributos comunicáveis de Deus, como descritos nos versículos de cinco a nove do mesmo capítulo. Os atributos incomunicáveis, tais como onipresença, onipotência e onisciência, não são exibidos pelo cristão.

Rob Bowman oferece um interessante comentário sobre a já mencionada declaração de Kenneth Hagin: ‘ ‘Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi”:

O erro nesse raciocínio encontra-se na definição de “encarnação”. 

Cristo não foi meramente Deus habitando num ser humano, uma heresia (como o nestorianismo) que a igreja primitiva condenou, pois afirmava que o Verbo, na verdade, não se tornou carne (João 1:14), mas apenas uniu-se a um ser humano. Sem dúvida, o Cristo encarnado foi uma pessoa em quem estavam perfeitamente unidas duas naturezas, a divina e a humamana; o cristão é uma pessoa com uma natureza, a humana, em quem uma pessoa separada, Deus, o Espírito Santo (e, através dele, o Pai e o Filho também) habita”.42

Encerramos esta seção com uma declaração interessante e verdadeira:

Dois fatos fundamentais de esclarecimento humano: 1. Há um só Deus; 2. Você não é ele! 43

conteudo retirado do livro: SUPERCRENTES

 

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