O LIVRO DE OSÉIAS (SALVO)

 

A partir do livro de Oséias, vamos estudar os conhecidos Profetas Menores. Os cinco livros estudados anteriormente são chamados de Profetas Maiores. Os termos Profetas Maiores e Menores  são por conta do conteúdo dos livros.

A. O Personagem Oséias.

O profeta Oséias é oriundo do Reino do Norte. Foi contemporâneo do profeta Amós. Começou a pregar sua mensagem no tempo do rei Jeroboão II. Sua atividade profética continuou até a queda de Samaria, 750-721 a.C. Oséias pegou uma época difícil: As conquistas assírias, revoltas internas, onde quatro reis foram mortos durante um período de quinze anos, mais uma desenfreada corrupção moral e religiosa.

Além da dificuldade enfrentada no seu ministério, Oséias enfrentou a contrariedade do adultério de sua esposa. Ele a amava de todo o coração a sua esposa, mas ela o deixou para se entregar a outros amantes. Oséias continuou amando-a e recebeu-a de novo, depois de colocá-la a prova. Leia Os 1-3.

O casamento mal sucedido de Oséias, “a experiência dolorosa do profeta tornase símbolo do comportamento de Iahweh,  para com seu povo e a consciência deste simbolismo pode ter modificado a apresentação dos fatos” (Bíblia de Jerusalém, p. 1247). 

O comentarista da Bíblia Católica (Editora Paulus, 1987:1166) diz que “esse amor não correspondido ultrapassou o nível de frustração pessoal para ser uma enorme força de anúncio: o profeta apresenta a relação entre o Deus, sempre fiel e cheio de amor, e seu povo, que o abandonou e preferiu correr ao encontro dos ídolos. Oséias torna-se, então, denunciador de todo tipo de idolatria, que ele chama de prostituição. Essa comparação será daí para frente uma constante nos escritos bíblicos. Tais ‘prostituições’, segundo Oséias, não consistem somente em adorar imagens de ídolos, mas inclusive em fazer alianças políticas com potencias estrangeiras que provocam dependência, exploração econômica e opressão (7.8-12; 8.9,10)”.

B. Atuação de Oséias.

O texto sagrado diz que Oséias profetizou durante os governos de “Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel” (Os 1.1). Oséias profetizou durante doze ou treze anos do reinado de Jeroboão II.

Segundo o Dicionário de Davis (1984:433), Oséias “chegou a ver a queda de Samaria, no ano 722 a. C., o seu ministério estendeu-se por mais de quarenta anos”. 

Propomos que seja feita a leitura do texto sagrado a respeito dos reinados dos monarcas citados acima, para melhor compreensão do estudo do livro de Oséias.

Na época do profeta Oséias havia uma grande prosperidade e desenvolvimento econômico.

Apesar da riqueza da nação israelita, também havia grandes contrastes sociais. Naquele período, Egito e Assíria, as grandes potencias da época, estavam em decadência. Enquanto isso, as nações pequenas estavam vivendo tempo de tranqüilidade. O comentarista da Bíblia de Genebra contribui com uma informação importante: “O reino do Norte de Israel viveu um estado de declínio político e social nos seus anos derradeiros.

A prosperidade econômica e a segurança política que a nação experimentou durante o reinado de Jeroboão II (c. 793-753 a.C.) foram seguidas de um período de caos político e social e de declínio religioso sob os seis reis seguintes, que reinaram por um período total de vinte e cinco anos (2Rs 15.8-17.41).

Quatro dentre esses reis foram assassinados por aqueles que usurparam seus tronos (Zacarias, Salum, Pecaías e Peca); um tornou-se prisioneiro político (Oséias, 2Rs 17.3-4); e apenas um foi sucedido por seu filho (Menaém, 2Rs 15.23)” (2004:1005). 

Uma informação muito pertinente vem do Dicionário de Davis que diz que,

“Oséias e Isaías eram contemporâneos; este operava em Judá, Os 1.1 e Is 1.1”. Outra informação também relevante é que, “Oséias foi contemporâneo de Amós no reino do norte, e de Miquéias que profetizou em Judá” (Davis, 1984: 433, 434).

C. Autoria do Livro.

Oséias, segundo alguns estudiosos, foi, com exceção de Jonas, o único escritor do Reino do Norte. A Bíblia de Estudo Pentecostal sugere que Oséias escreveu o livro quer leva o seu nome. O comentarista da Bíblia de Genebra diz apenas que,”pouco se sabe sobre as origens e a formação do autor deste livro, o profeta Oséias, filho de Beeri (1.1)” (2000:1005).

Data do Livro.

A data sugerida por Stanley Ellisen é cerca de 740 a.C. A data sugerida pela Bíblia de Estudo Pentecostal é 715-710 a.C. A Bíblia de Genebra diz que, “o livro de Oséias é um reflexo do seu ministério profético que abrangeu os anos críticos do declínio e da decadência religiosa do reino do Norte, de aproximadamente 750 a.C. até alguns anos antes da queda de Samaria, em 722 a.C.”.

E. Tema do Livro.

Stanley Ellisen sugere o seguinte tema: “Amor inabalável de Deus por Israel a fim de trazer julgamento e restauração final”. A Bíblia de Estudo Pentecostal sugere o tema: “O Julgamento Divino e o Amor Redentor de Deus”. O comentarista da Bíblia de Genebra quem “há recorrência de diversos temas por todo o livro, temas que continuam a ter relevancia religiosa para a comunidade de fé nos dias de hoje (14.9). O tema da infidelidade à aliança simbolizado de forma tocante pelo relacionamento de Oséias com sua mulher promíscua permeia o livro. Intimamente ligado a este, surge o tema do arrependimento”.

Esboço do Livro.

A opção de esboço é de Stanley Ellisen. Temos recomendado que se deve estudar um livro acompanhando o esboço seguido da leitura do texto sagrado. Vejamos o esboço sugerido por Stanley Ellisen.

“I. TRAGÉDIA PESSOAL DE UMA ESPOSA INFIEL (caps. 1-3)

  1. Oséias casa-se com Gomer (cap. 1)
  2. Sua esposa retrata a infidelidade de Israel (1.1-3)
  3. Seus filhos são um presságio, julgamento e misericórdia (1.4-2.1)
  4. Oséias divorcia-se de Gomer (2.2-13)
  5. Loucura do adultério (2.2-8)
  6. Miséria do adultério (2.9-13)
  7. Oséias casa-se novamente com Gomer (2.14-3.5)
  8. O SENHOR planeja novo casamento com Israel (2.14-23)
  9. O SENHOR ordena a Oséias que se case novamente com Gomer (3.1-5)
  10. TRAGÉDIA NACIONAL DE UMA NAÇÃO INFIEL (caps. 4-13)
  11. O SENHOR entra com de divórcio contra Israel (4.1-6.3)
  12. Decadencia do povo (cap. 4)
  13. Depravação dos líderes (5.1-13)
  14. Partida do SENHOR à espera de arrependimento (5.14-6.3)
  15. o SENHOR deplora a infidelidade de Israel (6.4-13.16)
  16. Total falta de misericórdia (6.4-11)
  17. Afastamento do SENHOR (cap. 7)
  18. Confiança em deuses falsos (cap. 8)
  19. Tragédia do próximo cativeiro (caps. 9 e 10)

5.Lugar verdadeiro de refúgio (caps. 11 e 12)

  1. Terrível julgamento por causa da idolatria (caps. 13)

III. TRIUNFO MILENÁRIO DE DEUS FIEL (cap. 14)

  1. A receita para receber a renovação do SENHOR (14.1-3)
  2. A promessa de restauração feita pelo SENHOR (14.4-8)
  3. A predição do SENHOR – da justificação do amor (14.9)”
  4. Comentário do Livro.

É impressionante a maneira como o comentarista da Bíblia de Jerusalém fala sobre a mensagem do profeta Oséias. Ele diz: “Com audácia surpreendente e uma paixão que impressiona, a alma terna e violenta de Oséias exprimiu pela primeira vez as relações entre Iahweh e Israel nos termos de um matrimonio. Toda a sua mensagem tem por tema fundamental o amor de Deus desprezado por seu povo” (2004:1247).

Oséias censurava duramente os líderes da nação israelita.

Os reis de Israel além de não serem escolhidos pela vontade de Deus ainda rebaixaram o povo de Deus ao nível de uma política dada aos prazeres materiais, à falsa religião e a prostituição. Quando Oséias falava de prostituição, ele não estava se referindo apenas a uma questão sexual-moral, mas uma questão de idolatria. A infidelidade de Israel se deve ao culto a Baal, que era o deus da natureza entre os cananeus. O Senhor Deus da verdade é deixado de lado. Ele, sim, é o Deus da fertilidade da terra e das grandes colheitas. Oséias mostrou ao povo de Israel que a seca e as fracas colheitas são resultados da justiça divina ao povo infiel. Ele não se referia a pessoas individualmente prostituídas, mas ao país que foi prostituído. Prostituição não era somente adorar ídolos, mas fazer alianças com as nações estrangeiras pagãs. 

O comentarista da Bíblia de Genebra diz que, “repetidas vezes Oséias aponta para o pecado do reino do Norte de tentar unir a adoração do Senhor da aliança com a religião cananéia e sua deificação do sexo e da natureza”. Isso é conhecido como sincretismo religioso, ou seja, a união da verdadeira religião com a falsa. Leituras imprescindíveis: Os 2.2-13; 4.10-19; 5.4; 9.1,10.

Todo o livro de Oséias merece uma reflexão apurada, porém, os textos de Os 2.20; 4.1; 5.4; 6.3,6 e 13.4 merecem destaques pelo tema de conhecimento do Senhor. O

Senhor desejava de Israel não o conhecimento a seu respeito, mas um relacionamento íntimo, uma “intimidade que se evidencia na adoração, no estilo de vida e na lealdade ao Senhor da aliança”.

Escola de Teologia – ETAP
Disciplina: LIVROS PROFÉTICOS I E II
Professor: Carlos Alberto Alves

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