O LIVRO DE AMÓS (CARREGADOR DE FARDOS)

 

Vamos estudar o livro de Amós. O interiorano que foi tomado por Deus para proclamar as mensagens do Senhor, mas não fazia parte da irmandade dos profetas.

A. O Personagem Amós.

Amós nasceu na cidade de Tecoa, nos limites do deserto de Judá. “Tecoa cidade de Judá, situada a 10 quilometros ao sul da vila de Belém” (Dicionário de Davis,

p.33). Ele fora pastor em Tecoa. “Pertencia à classe humilde do povo, e empregava-se no mister de pastor de ovelhas. Sendo habitador de Tecoa passava o tempo no deserto que se estendia para o oriente até ao Mar-Morto na guarda dos rebanhos. Nesta bravia região, ele se sustentava com o produto dos sicomoros existentes nas planícies próximas ao mar” (idem Dicionário de Davis, p 33). Amós não fazia parte da congregação de profetas. Amós foi uma excepcionalidade de Deus na escolha para o ministério profético. O texto sagrado afirma: “Respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel” (Am 7.14,15).

Stanley Ellisen descreve Amós de um modo muito inteligente, dizendo: “Amós foi um rústico profeta oriundo de uma fazenda onde criava gado. Apesar do estilo muito elegante e vigoroso, sua maneira de falar era na realidade rústica. As palavras e símbolos por ele empregadas eram os de um homem da lavoura, tais como lavrar, pomar, vinhas, ceifa, gafanhotos etc. Quanto ao modo de falar, Amós parecia-se com o primeiro grande profeta de Israel, Elias, oriundo dos montes de Gileade” (Conheça Melhor o ANTIGO RESTAMENTO, p. 338).

B. Atuação de Amós.

Amós pregou durante o reinado de Jeroboão II (783-743). Na época, o Reino do Norte estava vivendo momentos gloriosos de prosperidade, do ponto de vista humano. O poder de alguns afrontava a miséria de outros. A injustiça estava solta na nação.

Amós inicia seu ministério anunciando a soberania de Deus sobre as nações. Ele selecionou as nações mais terríveis e suas práticas abomináveis. Ele começou pela Síria, capital Damasco. O Senhor falou em queimar a casa de Hazael. Vamos saber um pouco sobre Hazael. Leia 2Rs 8.7-15. Depois, o Senhor citou as cidades de Gaza, Tiro, Edom, Amom e Moabe. Ele ameaçou e cumpriu com justiça a todas elas. Em seguida, o Senhor vai a seu povo para executar sua justiça. Ele começou por Judá.

A mensagem de do Senhor a Judá é “porque rejeitaram a lei do Senhor e não guardaram os seus estatutos; antes, se deixaram enganar por suas próprias mentiras, após as quais andaram seus pais” (Am 2.4). Logo após, vem Israel. A mensagem para Israel foi “porque vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos. Suspirando pelo pó da terra sobre a cabeça dos pobres, eles pervertem o caminho dos mansos; e um homem e seu pai entram à mesma moça, para profanarem o meu santo nome. E se deitam junto a qualquer altar sobre roupas empenhadas e na casa de seus deuses bebem o vinho dos que tinham multado (Am 2.6-8).

A mensagem divina, através de Amós, incomodava demais a sociedade de sua época.

Um leão começava a rugir. O rugido do leão metia medo.  A palavra do Senhor se expressa assim: “Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas. Bramiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Jeová, quem não profetizará?” (Am 3.7,8). O profeta dava “nome aos bois”.

Vale a pena apresentar um pequeno esboço da mensagem de Deus que Amós pregou: 1) Os ricos acumulavam viviam em mansões: casa de inverno, casa de verão e casa de marfim (Amós 3.13-15). Os ricos dormiam a camas de marfim; bebiam vinho em taças e ungiam-se com os melhores óleos. As festas eram muito pomposas, e o Senhor disse que iria acabar com as festas dos regalados (Amós 6.1-7). 2) As madames da época viviam no luxo, e ainda estimulavam seus maridos a explorar os menos favorecidos.

Amós as chamava de “vacas de Basã” (Am 4.1-3). 3). Os cínicos levavam os dízimos de três em três dias. Faziam um mirabolante culto a Jeová (Amós 4.4-12; 5.21-27). 4) As autoridades eram corruptas (Am 5.10-13). Os empresários (comerciantes) ladrões deixavam os pobres sem nenhuma condição (Am 8.4-8).

A situação do Reino do Norte se tornou insustentável diante de Deus. Nem o próprio Deus “agüentava” mais. Não se pode deixar de ler e pensar nos textos sugeridos: Am 7; 8.1-3; 9.1-6.

Autoria do Livro.

A Bíblia de Estudo Pentecostal afirma que a autoria do livro é do próprio Amós. Stanley Ellisen também afirma que Amós é o escritor do livro. Ele diz algo bastante significativo a respeito de Amós. Vejamos: “Era um intelectual e hábil escritor. Seu livro é considerado clássico, tanto no conteúdo quanto na expressão artística” (Conheça Melhor o ANTIGO TESTAMENTO, p.334). 

D. Data do Livro.

Stanley Ellisen sugere a data de “c. 760 a.C”. A Bíblia de Estudo Pentecostal sugere a data de “cerca de 760-755 a.C.”. 

E. Tema do Livro.

Stanley Ellisen sugere o tema: “O próximo julgamento de Israel pela corrupção moral e injustiça social”. A Bíblia de Estudo Pentecostal sugere o tema: “Justiça, Retidão e Retribuição Divina pelo Pecado”.  F. Esboço do Livro.

O esboço escolhido foi extraído da Bíblia de Estudo Pentecostal. Vamos continuar diversificando, porque melhora até o vocabulário. O esboço só tem importancia se acompanhado de estudo do texto sagrado. É a melhor motivação para se entender o livro todo. Vejamos o esboço sugerido:

“Introdução (1.1-2)

  1. Oito Oráculos de Julgamento às Nações (1.3-2.16)
  2. Damasco (1.3-5)
  3. Gaza (Filístia) (1.6-8)
  4. Tiro (Fenícia) (1.9,10)
  5. Edom (1.11,12)
  6. Amom (1.13-15)
  7. Moabe (2.1-3)
  8. Judá (2.4,5)
  9. Israel (2.6-16)
  10. Tres Mensagens Proféticas a Israel (3.1-6.14)
  11. O Pecado de Israel Torna-o Réu do Juízo Vindouro (3.1-15)
  12. A Corrupção de Israel Está em Todos os Níveis (4.1-13)
  13. O Justo Castigo de Israel Será a Destruição e o Exílio (5.1-6.14)
  14. O Cantico da Morte (5.1-3)
  15. Israel Recusa-se a Buscar ao Senhor (5.4-17)
  16. A Religião Pervertida de Israel (5.18-27)
  17. Repreensão e Ais contra Israel (6.1-14)
  • Cinco Visões da Retribuição Vindoura pelo Pecado (7.1-9.10)
  1. Visão dos Gafanhotos Devoradores (7.1-3)
  2. Visão do Fogo Consumidor (7.4-6)
  3. Visão do Prumo (7.7-9)
  4. Parentese Histórico: Amazias e Seu Castigo (7.10-17)
  5. Visão de um Cesto de Frutos de Verão (8.1-14)
  6. Visão do Senhor Julgando (9.1-10)

Epílogo: Restauração Futura de Israel (9.11-15)”

G. Comentário do Livro.

O livro de Amós combate severamente a vida religiosa do Reino do Norte. O próprio Senhor ironiza a vida religiosa do povo, dizendo: “Vinde a Betel e transgredi; a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e, cada manhã, trazei os vossos sacrifícios e, de três em três dias, os vossos dízimos. E oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai sacrifícios voluntários, e publicai-os; porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor Jeová” (Am 4.4,5). Os santuários históricos de Betel e Gilgal tinham a ver com Jeroboão I (1Rs 12 e 13). Para que sacrifícios, dízimos, sacrifícios de louvor e sacrifícios voluntários, se os rituais religiosos da nação eram pecados. Não havia uma legítima comunhão com Deus. O Senhor diz: “porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor Jeová”. 

O povo não levava a sério as advertências divinas por meio dos profetas. Satisfazia seus impulsos religiosos, mas não levava em conta que havia no futuro um juízo esmagador para a nação. O Senhor falou: “Portanto, assim te farei, ó Israel! E, porque isso te farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus” (Am 4.12). Leia todo capítulo 4. A convocação do Senhor para Israel era: “Buscai-me e vivei”; “Buscai o Senhor e vivei” (Am 5.5,6). Leia todo o capítulo 5.

O comentarista da Bíblia de Genebra diz que, “Amós ataca duas grandes áreas do pecado geralmente condenadas pelos profetas: a idolatria e a injustiça social.

A raiz do problema de Israel era sua falsa religiosidade – ‘rendo forma de piedade, negandolhe, entretanto, o poder’ (2Tm 3.5). Embora Israel mantivesse as formalidades rituais da lei e até se excedesse nelas (4.4-5), a idolatria era muito comum (2Rs 17.9-17); Am 5.26), assim como a injustiça e a violência (2.6-8;4.1).

Stanley Ellisen diz que o objetivo do livro de Amós “era soar a trombeta, avisando à liderança e à aristocracia de Israel do iminente julgamento de Deus sobre a nação. Essa admoestação não visava tanto às falhas religiosas, mas sobretudo à corrupção espiritual, moral e social. A nação estava prestes a ser destruída em virtude das injustiças sociais praticadas pela aristocracia contra os pobres e fracos, pois Deus é um Deus de justiça. Oséias foi o pregador do amor divino, Amós, o da justiça” (Conheça Melhor o ANTIGO TESTAMENTO, p.337).

Em cinco visões, Amós anunciou o fim do Reino do Norte, porque a situação da nação diante de Deus era insuportável. Leia com atenção: Am 7.1-9; 8.1-3; 9.1-4.

A profecia de Amós fora tão severa contra o Reino do Norte, que o sacerdote idólatra Amazias mandou dizer ao rei Jeroboão II: “Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras” (Am 7.10).

Amós expulso do Reino do Norte. O texto sagrado afirma: “Depois, Amazias disse a

Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; mas, em Betel, daqui por diante, não profetizarás mais, porque é o santuário do rei e a casa do reino” (Am 7.12,13). 

Finalmente, o Senhor Deus não tem apenas julgamento, mas também tem uma promessa de restauração de “levantar a tenda de Davi, que caiu, e taparei as suas aberturas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e a edificarei como nos dias da antiguidade” (Am 9.11). Depois vem a bonança, tipo Éden, onde haverá fertilidade e bençãos (Amós 9.13-15).

Escola de Teologia – ETAP
Disciplina: LIVROS PROFÉTICOS I E II
Professor: Carlos Alberto Alves

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