O LIVRO DE EZEQUIEL (DEUS TORNA FORTE)

 

O primeiro momento é fazer uma breve apresentação da pessoa do profeta. O destaque será dado, porque ele fora fiel na missão que recebera de Deus. 

O Personagem Ezequiel. 

Fora sacerdote, filho de sacerdote (Ez 1.3). “Via de regra, os sacerdotes iniciavam seu serviço no templo aos trinta anos. Entretanto, no ano em que Ezequiel deveria estar iniciando o seu serviço no templo, ele estava vivendo na Babilonia, cerca de 1100 km de Jerusalém. Foi nesse momento significativo da sua vida que Deus chamou Ezequiel para ser profeta. A sua capacitação profética foi reconhecida pelos líderes que viviam entre os exilados (8.1; 20.1)” (Bíblia de Genebra, p. 929). Sacerdote exilado em Babilonia com uma parte do seu povo (Ez 1.1).

Para exercer sua atividade profética, ele teve grandes experiências com Deus junto ao rio Quebar. Experiencias pessoais sãos importantes, pois trazem convicção plena da vocação. Ezequiel descreve suas experiências, dizendo: “se abriram os céus, e eu vi visões de Deus” (Ez 1.1). Com esta frase, são abertas as excelentes experiências do profeta com o Senhor Deus. O Deus de perto e o Deus de longe (Jr 23.23). A vocação do profeta na Palestina é marcada com a visão do rolo (Ez 2.1-3,9). Havia necessidade de grandes experiências com Deus, o povo composto de filhos “de semblante duro e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás:

Assim diz o Senhor Jeová. E eles, quer ouçam quer deixem de ouvir (porque eles são casa rebelde), hão de saber que esteve no meio deles um profeta. E tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras; ainda que sejam sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões, não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde” (2.4-7). 

Ezequiel fora casado.

 “Sua esposa morreu durante o cativeiro, pouco antes de Jerusalém ser destruída pelos babilônios em 586 a.C. (24.15-18)” (Bíblia de Genebra, p. 929). Vale à pena fazer a transcrição do texto bíblico na íntegra: “E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, eis que tirarei de ti o desejo dos teus olhos de um golpe, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas. Refreia o teu gemido; não tomarás luto por mortos; ata o teu turbante e coloca nos pés os teus sapatos; e não te rebuçarás e o pão dos homens não comerás. E falei ao povo pela manhã, e à tarde morreu minha mulher; e fiz pela manhã como se me deu ordem” (Ez 24.15-18).

 Atuação de Ezequiel.

Ezequiel exerceu toda sua atividade no meio dos exilados de Babilonia entre 593 e 571 a.C., depois da primeira deportação, em 597. Lá, ele iniciou suas atividades anunciando as sentenças de Deus.  “Ezequiel se estabeleceu com uma colônia de judeus cativos, possivelmente nas proximidades de Tel-Abibe, no ‘rio Quebar’ (1.1), um canal que desaguava no Eufrates a sudeste da Babilonia” (idem Bíblia de Genebra, p.929).

O profeta exerceu seu ministério durante vinte e três anos. Ele tinha vinte e seis anos de idade quando foi deportado para a Babilonia. O início de seu ministério foi aos trinta anos de idade, correspondendo ao quinto anos de exílio do rei Joaquim (Ez 1.2,3).

Stanley Ellisen nos fornece um dado muito significativo para a atuação do profeta junto aos cativos na Babilonia.

 Ele diz: “Usando seu próprio lar como um lugar de encontro, ministrou aos anciãos que se juntavam para receber seu conselho, talvez inaugurando o sistema de sinagoga. Seu ministério continuou por, pelo menos vinte e três anos, até 570, a última data em suas profecias (29.17)” (idem Conheça Melhor o ANTIGO TESTAMENTO, p. 289). 

Autoria do Livro.

A Bíblia de Estudo Pentecostal diz que o autor é o profeta Ezequiel. Stanley

Ellisen diz que a autoria do livro “é reconhecidamente universal. Embora seu nome não seja mencionado em nenhum outro livro bíblico, é identificado de diversas maneiras como o autor no próprio livro” (Conheça Melhor o ANTIGO TESTAMENTO, p. 288). O profeta é identificado pelo nome em Ez 1.3: “veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor”. Além do texto anterior, temos Ez 24.24: “Assim vos servirá Ezequiel de sinal; conforme tudo quanto fez, fareis; e, quando isso suceder, então, sabereis que eu sou o Senhor Jeová”. 

 Data do Livro.

O teólogo Stanley Ellisen  sugere que o livro foi escrito em 592- 570 a.C. Ele acrescenta o seguinte dado: “Ezequiel é extremamente exato ao datar muitas de suas profecias. Começa a datá-las em 597 a.C., ano do cativeiro de Joaquim”  (Conheça Melhor o ANTIGO Testamento, p.289). A Bíblia de Estudo Pentecostal sugere a data do livro 590-570 a.C. Diferenças de datas sugeridas entre os estudiosos não significa discordância. Não surgem por sorte. Também não são de tão grande relevância. 

Tema do Livro.

O tema sugerido por Stanley Ellisen é: “Destruição de Jerusalém quando a glória se afasta e restauração quando a glória volta”. A Bíblia de Estudo Pentecostal sugere: “O Juizo e a Glória de Deus”. Devemos aproveitar as diferenças coerentes entre os temos para enriquecer o nosso estudo e vocabulário. 

Esboço do Livro.

Optamos pelo esboço sugerido pela Bíblia de Estudo Pentecostal. Temos opções de esboços. Todos são bons, pois ajudam a melhorar a nossa visão do livro em estudo. É que se leia o esboço do livro seguido do texto sagrado.

“I. A Chamada e Nomeação de Ezequiel (1.1-3.27)

  1. A Visão da Glória de Deus (1.1-28)
  2. O Ministério da Palavra Profética (2.1-3.27)
  3. A Mensagem Profética de Juízo para Judá e Jerusalém (4.1-24.27)
  4. Sinais Proféticos do Juízo Vindouro (4.1-5.17)
  5. Um Tijolo (4.1-3)
  6. Ezequiel Deita-se de Lado (4.4-8)
  7. O Pão Minguado (4.9-17)
  8. A Navalha Afiada (5.1-17)
  9. Mensagens Proféticas do Juízo Vindouro (6.1-7.27)
  10. Visões Proféticas do Juízo Vindouro (8.1-11.25)
  11. Visão das Abominações no Templo (8.1-18)
  12. Visão de Destruição de Jerusalém (9.1-11)
  13. Visão do Afastamento da Glória d (10.1-22)
  14. Visão dos Governantes Ímpios  e da Retirada da Glória (11.1-25)
  15. Sinais, Mensagens e Parábolas Proféticas do Juízo Vindouro (12.1-24.27)
  16. Sinais do Exílio de Jerusalém (12.1-28)
  17. Mensagem contra os Falsos Profetas (13.1- 23)
  18. Mensagem contra os Anciãos Idólatras (14.1-23)
  19. Parábolas da Videira Inútil (15.1-8), das Mulheres Adúlteras (16.1-23), e das Duas Águias (17.1-24)
  20. Uma Lição (18.1-32) e uma Lamentação (19.1-14)
  21. Mais Mensagens e Sinais do Juízo de Jerusalém (20.1-24.27)

III. A Mensagem Profética de Juízo para as Nações Estrangeiras (25.1-32.32)

  1. Amom (25.1-7)
  2. Moabe (25.8-11)
  3. Edom (25.12-14)
  4. Filístia (25.15-17)
  5. Tiro (26.1-28.19)
  6. Sidom (28.20-26)
  7. Egito (29.1-32.32)
  8. A Mensagem Profética da Restauração de Israel (33.1-48.35)
  9. O Atalaia da Restauração (33.1-33)
  10. As Promessas da Restauração (34.1-39.28)
  11. A Visão da Restauração (40.1-48.35)”

Comentário do Livro.

O ponto culminante da vida de Ezequiel junto aos exilados de Judá e Jerusalém é a grande experiência que ele teve as margens do rio Quebar. Deus se apresentou para ele de forma “estranha”, incompreensível aos nossos sentidos espirituais. Depois, ele teve a visão do rolo, que marcaria a vocação do profeta. Leia os capítulos 2 e 3.

Ezequiel era sacerdote.

O Templo era a sua preocupação principal. Ele estava maculado por ritos impuros. É bom que se leia o capítulo 8, para melhor compreensão. A glória de Deus havia se retirado do Templo (Cap. 10). A prova de Deus para o profeta foi “terrível” a ponto de ele dizer para o Senhor: “Ah! Senhor Jeová! Eis que a minha alma não foi contaminada, porque nunca comi coisa morta, nem despedaçada, desde a minha mocidade até agora, nem carne abominável entrou na minha boca” (z 4.14). Leia todo capítulo 4. 

O livro de Ezequiel tem uma importância extraordinária, pois o profeta soube representar simbolicamente o cerco de Jerusalém usando a figura do tijolo, conforme revelado pelo Senhor. Também usou a faca afiada como uma navalha para representar o juízo de Deus em Jerusalém (Caps. 4,5). Ezequiel era profeta de ação. Ele profetizou a partida dos judeus para se estabelecer em Babilonia. Não se deve deixar de ler Ez 12.120.

O comentarista da Bíblia de Genebra diz que,

“Israel é uma nação rebelde, porém o exílio tem o propósito de produzir uma nação purificada, um remanescente disposto a viver em obediência a Deus (6.8; 9.8; 11.12,13; 12.6; 14.22-23)”. A expressão: “nação rebelde” é empregada no livro 14 vezes. Stanley Ellisen diz que “a mudança do local não mudou o coração dos exilados ou seu propósito para com o Senhor até aquela data”.

O comentarista da Bíblia de Jerusalém (Editora Paulus, 2004:1243) diz que, “Ezequiel é sobretudo homem de visões. Seu livro contém apenas quatro visões propriamente ditas, mas elas ocupam espaço considerável: 1-3; 8-11; 37; 40-48. Manifestam um mundo fantástico: os quatro seres vivos do carro de Iahweh, a sarabanda cultual do Templo, com seu pulular de animais e de ídolos, a planície dos ossos que se reanimam, um Templo futuro desenhado como numa planta de arquiteto, donde brota um rio de sonho numa geografia utópica”. A palavra sarabanda significa: fig. repreensão; grande agitação, tumulto.

Stanley Ellisen (Conheça Melhor o ANTIGO TESTAMENTO, p.292) afirma que o objetivo do livro de Ezequiel era duplo: “A. Promover arrependimento e fé com o aviso do julgamento iminente sobre Jerusalém e as nações. B. Estimular esperança e confiança com a mensagem posterior de reafirmação de que um dia o povo seria novamente reunido; a cidade, restaurada; e um novo templo, construído”. O comentarista da Bíblia de Genebra (2000:930) diz que, “a nação viverá novamente sob um príncipe da linhagem davídica (37.24-25; 45.7), que governará com justiça (34.23). Deus dará a seu povo um coração novo e um espírito novo (36.24-28)”.

Escola de Teologia – ETAP
Disciplina: LIVROS PROFÉTICOS I E II
Professor: Carlos Alberto Alves

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