O tetra do Corinthians em meio à maior polêmica da história do futebol brasileiro.
Nota: Esta edição foi a 50ª do Campeonato Brasileiro e a terceira disputada no sistema de pontos corridos.
3º colocado: Goiás (GO) · 4º colocado: Palmeiras (SP)
O Campeonato Brasileiro de 2005 foi a 50ª edição da competição — a terceira disputada no sistema de pontos corridos. Com 22 clubes e 42 rodadas, o torneio foi realizado entre 23 de abril e 4 de dezembro de 2005.
O Corinthians conquistou seu quarto título nacional (tetracampeão), repetindo os feitos de 1990, 1998 e 1999. O título, porém, ficou manchado pela maior polêmica da história do futebol brasileiro: a "Máfia do Apito", um escândalo de manipulação de resultados que envolveu o árbitro Edílson Pereira de Carvalho.
O campeonato também foi marcado por uma disputa acirradíssima entre Corinthians e Internacional, que só foi decidida na última rodada. O Corinthians, comandado por Antônio Lopes e tendo como estrela o argentino Carlos Tévez, venceu o Goiás por 3 a 2 no Serra Dourada e, com a derrota do Inter para o Coritiba por 1 a 0, confirmou o título com 81 pontos, três a mais que o vice-campeão.
O campeonato foi disputado em um único grupo, com todos os clubes se enfrentando em turno e returno:
Saldo de gols: +28 · Pontos: 81
O Corinthians fez uma campanha sólida, com o melhor ataque da competição (87 gols). O time, comandado por Antônio Lopes — que substituiu Tite, Daniel Passarella e Márcio Bittencourt ao longo do ano —, encontrou o caminho da liderança pouco antes do fechamento do primeiro turno.
O grande destaque da campanha foi o argentino Carlos Tévez, eleito o melhor jogador do campeonato pela CBF e pela revista Placar. Tévez marcou 20 gols e foi o vice-artilheiro do torneio. O atacante Nilmar também foi peça fundamental no ataque corintiano.
O Internacional fez uma campanha histórica e chegou à última rodada com chances de título. O time, comandado por Muricy Ramalho — eleito o melhor treinador do campeonato —, tinha a melhor defesa da competição (49 gols sofridos) e contava com jogadores como Rafael Sóbis, Tinga, Iarley e Índio.
O Colorado liderou o campeonato por várias rodadas, mas foi duramente prejudicado pelo escândalo da Máfia do Apito. O Inter teve uma vitória anulada contra o Coritiba (que havia vencido por 3 a 2) e precisou repetir o jogo, mantendo os três pontos. Enquanto isso, o Corinthians, que havia perdido para Santos e São Paulo em jogos apitados por Edílson, recuperou quatro pontos nas partidas remarcadas.
Na 40ª rodada, o Inter enfrentou o Corinthians no Pacaembu em uma "final antecipada". O jogo terminou empatado em 1 a 1, com gols de Tévez e Rafael Sóbis. No entanto, o lance que ficou marcado foi a não marcação de pênalti sobre Tinga, que acabou sendo expulso por simulação. O árbitro Márcio Rezende de Freitas pediu desculpas anos depois pelo erro.
O Campeonato Brasileiro de 2005 foi manchado por um dos maiores escândalos da história do futebol brasileiro: a "Máfia do Apito".
Em 23 de setembro de 2005, a revista Veja publicou uma reportagem denunciando um esquema de manipulação de resultados envolvendo o árbitro Edílson Pereira de Carvalho. No dia seguinte, Edílson foi preso em sua casa, em Jacareí, pela Polícia Federal.
As investigações revelaram que Edílson e o árbitro Paulo José Danelon interferiram nos resultados dos jogos em que eram escalados para favorecer apostadores, recebendo cerca de R$ 10 mil por partida fraudada.
Em uma decisão polêmica e inédita, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou a anulação dos 11 jogos apitados por Edílson no campeonato. As partidas foram refeitas, alterando drasticamente a classificação.
O Corinthians foi o grande beneficiado: havia perdido para Santos e São Paulo nos jogos anulados e, nas partidas remarcadas, venceu o Santos por 3 a 2 e empatou com o São Paulo por 1 a 1, recuperando quatro dos seis pontos perdidos. Já o Internacional, que havia vencido o Coritiba, precisou repetir o jogo e manteve os três pontos, mas viu sua vantagem na liderança desaparecer.
Além da Máfia do Apito, o campeonato ficou marcado por um lance polêmico que, para muitos, custou o título ao Internacional.
Na 40ª rodada, em 20 de novembro de 2005, Corinthians e Internacional se enfrentaram no Pacaembu em uma "final antecipada". O Corinthians vencia por 1 a 0 (gol de Tévez), mas Rafael Sóbis empatou para o Inter.
Aos 28 minutos do segundo tempo, o meia Tinga recebeu um lançamento dentro da área, aplicou um toque na bola e foi atropelado pelo goleiro Fábio Costa. O árbitro Márcio Rezende de Freitas, no entanto, não marcou pênalti e, de quebra, expulsou Tinga por simulação.
O lance se tornou um dos mais icônicos e polêmicos da história do Campeonato Brasileiro. Anos depois, o árbitro pediu desculpas publicamente ao Internacional pelo erro. O presidente do Corinthians, em um áudio vazado, chegou a declarar que o campeão de fato era o Internacional.
A 42ª e última rodada do Campeonato Brasileiro de 2005 foi dramática. O Corinthians, com 78 pontos, precisava vencer o Goiás no Serra Dourada para garantir o título. O Internacional, com 75 pontos, dependia de uma vitória sobre o Coritiba no Couto Pereira e de um tropeço do Timão.
No Serra Dourada, o Corinthians venceu o Goiás por 3 a 2, em um jogo emocionante. No Couto Pereira, o Internacional perdeu por 1 a 0 para o Coritiba, com gol de pênalti de Alcimar.
Com a combinação de resultados, o Corinthians foi campeão com 81 pontos, três a mais que o Internacional (78). Se os 11 jogos da Máfia do Apito não tivessem sido anulados, o Internacional seria campeão com um ponto de vantagem.
No vestiário do Couto Pereira, os jogadores do Inter souberam da derrota corintiana e foram orientados a retornar ao campo para uma "volta olímpica" sem taça, em um dos momentos mais emocionantes e tristes da história do clube.
Os quatro últimos colocados da tabela foram rebaixados para a Série B de 2006:
O rebaixamento do Atlético Mineiro foi especialmente dramático: o clube, que havia sido campeão brasileiro em 1971, caiu para a Série B pela primeira vez em sua história.
Classificação final do campeonato (PG = pontos, J = jogos, V = vitórias, E = empates, D = derrotas, GP = gols pró, GC = gols contra, SG = saldo). Os quatro últimos foram rebaixados. Fonte: Bola na Área.
| Pos. | Clube | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Corinthians (Campeão) | 81 | 42 | 24 | 9 | 9 | 87 | 59 | +28 |
| 2º | Internacional | 78 | 42 | 23 | 9 | 10 | 72 | 49 | +23 |
| 3º | Goiás | 74 | 42 | 22 | 8 | 12 | 68 | 51 | +17 |
| 4º | Palmeiras | 70 | 42 | 20 | 10 | 12 | 81 | 65 | +16 |
| 5º | Fluminense | 68 | 42 | 19 | 11 | 12 | 79 | 70 | +9 |
| 6º | Atlético Paranaense | 61 | 42 | 18 | 7 | 17 | 76 | 67 | +9 |
| 7º | Paraná | 61 | 42 | 17 | 10 | 15 | 59 | 51 | +8 |
| 8º | Cruzeiro | 60 | 42 | 17 | 9 | 16 | 73 | 72 | +1 |
| 9º | Botafogo | 59 | 42 | 17 | 8 | 17 | 57 | 56 | +1 |
| 10º | Santos | 59 | 42 | 16 | 11 | 15 | 68 | 71 | −3 |
| 11º | São Paulo | 58 | 42 | 16 | 10 | 16 | 77 | 67 | +10 |
| 12º | Vasco da Gama | 56 | 42 | 15 | 11 | 16 | 74 | 84 | −10 |
| 13º | Fortaleza | 55 | 42 | 16 | 7 | 19 | 58 | 64 | −6 |
| 14º | Juventude | 55 | 42 | 15 | 10 | 17 | 66 | 72 | −6 |
| 15º | Flamengo | 55 | 42 | 14 | 13 | 15 | 56 | 60 | −4 |
| 16º | Figueirense | 53 | 42 | 14 | 11 | 17 | 65 | 72 | −7 |
| 17º | São Caetano | 52 | 42 | 14 | 10 | 18 | 54 | 60 | −6 |
| 18º | Ponte Preta | 50 | 42 | 13 | 11 | 18 | 57 | 65 | −8 |
| 19º | Coritiba | 49 | 42 | 13 | 10 | 19 | 45 | 56 | −11 |
| 20º | Atlético Mineiro | 49 | 42 | 13 | 10 | 19 | 57 | 65 | −8 |
| 21º | Paysandu | 44 | 42 | 12 | 8 | 22 | 56 | 92 | −36 |
| 22º | Brasiliense | 41 | 42 | 10 | 11 | 21 | 47 | 67 | −20 |
| Gols | Jogador | Clube |
|---|---|---|
| 22 | Romário | Vasco da Gama |
| 21 | Róbson | Paysandu |
| 20 | Carlos Tévez | Corinthians |
| 19 | Rafael Sóbis | Internacional |
| 19 | Borges | Paraná |
| 19 | Alex Dias | Vasco da Gama |
| 18 | Souza | Goiás |
| 18 | Enílton | Juventude |
| 18 | Marcinho | Palmeiras |
Fonte: Bola na Área
O Campeonato Brasileiro de 2005 foi a 50ª edição da competição — a terceira disputada no sistema de pontos corridos. Com 22 clubes e 42 rodadas, o torneio foi realizado entre 23 de abril e 4 de dezembro de 2005, após 462 partidas e 1.449 gols marcados — uma média de 3,14 gols por jogo, a maior da história dos pontos corridos.
O grande campeão foi o Corinthians, que conquistou seu quarto título nacional (tetracampeão) com 81 pontos, três a mais que o vice-campeão Internacional. O time, comandado por Antônio Lopes e tendo como estrela o argentino Carlos Tévez, teve o melhor ataque da competição (87 gols).
O vice-campeonato ficou com o Internacional, que fez uma campanha histórica sob o comando de Muricy Ramalho — eleito o melhor treinador do campeonato. O Colorado tinha a melhor defesa (49 gols sofridos) e chegou à última rodada com chances de título, mas foi derrotado pelo Coritiba e viu o Corinthians vencer o Goiás.
O campeonato de 2005, porém, entrou para a história muito mais pelo escândalo do que pelo futebol. A "Máfia do Apito" — o esquema de manipulação de resultados envolvendo o árbitro Edílson Pereira de Carvalho — chocou o país e levou à anulação de 11 jogos, que foram refeitos e alteraram drasticamente a classificação.
O Corinthians foi beneficiado pela decisão, recuperando quatro pontos nas partidas remarcadas. Já o Internacional foi prejudicado, vendo sua vantagem na liderança desaparecer. O Colorado ainda foi vítima de um erro de arbitragem no jogo contra o Corinthians, no Pacaembu, quando o árbitro Márcio Rezende de Freitas deixou de marcar um pênalti claro sobre Tinga e ainda o expulsou por simulação.
O título do Corinthians de 2005 é, até hoje, um dos mais polêmicos da história do futebol brasileiro. O Internacional, que se sentiu duplamente prejudicado — pela Máfia do Apito e pelo erro de arbitragem —, fez uma "volta olímpica sem taça" no Couto Pereira após descobrir que seria campeão se os jogos não tivessem sido anulados. Anos depois, o árbitro pediu desculpas pelo erro, e o presidente do Corinthians, em um áudio vazado, declarou que o campeão de fato era o Internacional.
O Campeonato Brasileiro de 2005 é lembrado até hoje como o ano da Máfia do Apito — um dos capítulos mais sombrios da história do futebol brasileiro, que serviu de alerta para a necessidade de combate à corrupção no esporte.
Conteúdo histórico baseado em fontes oficiais e acervos esportivos.