O bicampeonato do Bahia e a "Lei dos Pênaltis" que marcou a competição.
Nota: Esta edição foi oficialmente denominada "Copa Brasil" pela CBF, mas também ficou conhecida como "Copa União".
3º colocado: Fluminense (RJ) · 4º colocado: Grêmio (RS)
Após a polêmica de 1987, quando a CBF e o Clube dos 13 brigaram pelo controle do campeonato, a edição de 1988 foi marcada por uma reorganização. O rompimento entre as duas entidades resultou num campeonato mais enxuto, com apenas 24 clubes e, pela primeira vez, com um sistema de acesso e descenso nos moldes recomendados pela FIFA.
A competição começou em 2 de setembro de 1988 e só terminou em 19 de fevereiro de 1989, com o Bahia conquistando o bicampeonato nacional — o primeiro título do clube havia sido a Taça Brasil de 1959.
Em 1988, a CBF instituiu uma regra inusitada: todo jogo que terminasse empatado iria para a disputa de pênaltis. A vitória no tempo normal valia 3 pontos. Em caso de empate, os dois times somavam 1 ponto, mas a partida ia para os pênaltis: o vencedor da disputa ganhava 1 ponto extra (totalizando 2 pontos), e o perdedor ficava com 1 ponto.
O mais curioso: o regulamento foi alterado no meio da competição. Um representante da CBF viajou a Salvador e comunicou a mudança ao árbitro no intervalo de uma partida entre Vitória e América, na Fonte Nova.
Saldo de gols: +10 · Pontos: 52
O Bahia conquistou o título com uma campanha sólida e consistente, sendo o terceiro melhor ataque e a segunda melhor defesa da competição.
O Bahia, então tricampeão baiano, iniciou a competição com um futebol envolvente e rápido. No primeiro turno, o time terminou em terceiro no Grupo B, ficando a um ponto do classificado Grêmio.
No segundo turno, o Bahia começou bem, mas passou por uma fase de três jogos sem vitórias, culminando com uma derrota por 1 a 0 para o Botafogo na Fonte Nova. A torcida se revoltou, e o técnico Evaristo de Macedo colocou o jovem Charles no lugar de Renato. As vitórias voltaram, incluindo um 5 a 1 sobre o Santos.
O Bahia fechou o returno em quarto no Grupo B, mas se classificou porque o Vasco, que terminou em primeiro, já havia conquistado vaga no primeiro turno, e o Corinthians (3º) tinha menos pontos no geral.
Nas quartas de final, o adversário foi o Sport, clube pernambucano. No primeiro jogo, na Ilha do Retiro lotada, o Bahia arrancou um empate em 1 a 1. No segundo, na Fonte Nova, 0 a 0 — e vaga assegurada.
A semifinal reservou um duelo tricolor contra o Fluminense. No Maracanã, empate em 0 a 0. Tudo seria decidido na Fonte Nova, que recebeu 110.438 torcedores — o maior público da história do estádio.
O Fluminense abriu o placar aos dois minutos com Washington, mas Bobô e Gil viraram o jogo, garantindo o Bahia na final.
A decisão do Campeonato Brasileiro de 1988 colocou frente a frente Bahia e Internacional. O Colorado havia vencido o Bahia por 3 a 0 no primeiro turno, no Beira-Rio, e era o grande favorito.
| Data | Jogo | Estádio | Resultado | Público |
|---|---|---|---|---|
| 12/02/1989 | Bahia × Internacional | Fonte Nova (Salvador) | 2 – 1 | 90.508 |
| 19/02/1989 | Internacional × Bahia | Beira-Rio (Porto Alegre) | 0 – 0 | — |
A final de 1988 ficou marcada por uma história curiosa. Conta-se que o pai de santo Lourinho "amarrou" o time gaúcho antes da final. Em resposta, o Internacional teria feito um "trabalho" e, quando a delegação baiana entrou no vestiário do Beira-Rio, encontrou um enorme despacho com patas de vaca, galinhas e erva-mate. Dentro de campo, o jogo foi truncado e o 0 a 0 garantiu o título ao Bahia.
Classificação geral do campeonato (PG = pontos, J = jogos, V = vitórias nos 90 min (3 pts), VP = vitória nos pênaltis (2 pts), E = empate nos 90 min (1 pt), D = derrota (0 pts), DP = derrota nos pênaltis (1 pt), GP = gols pró, GC = gols contra, SG = saldo).
| Pos. | Clube | PG | J | V | VP | E | DP | D | GP | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Bahia (Campeão) | 52 | 29 | 13 | 4 | 4 | 5 | 3 | 33 | 23 | +10 |
| 2º | Internacional | 53 | 29 | 12 | 6 | 3 | 4 | 4 | 40 | 26 | +14 |
| 3º | Fluminense | 41 | 27 | 10 | 3 | 1 | 8 | 5 | 27 | 21 | +6 |
| 4º | Grêmio | 40 | 27 | 10 | 2 | 2 | 8 | 5 | 27 | 24 | +3 |
| 5º | Vasco | 56 | 25 | 13 | 7 | — | 4 | 1 | 36 | 16 | +20 |
| 6º | Flamengo | 44 | 25 | 11 | 3 | 1 | 6 | 4 | 32 | 20 | +12 |
| 7º | Sport | 43 | 25 | 9 | 6 | 2 | 6 | 2 | 21 | 21 | 0 |
| 8º | Cruzeiro | 35 | 25 | 8 | 1 | 1 | 7 | 8 | 26 | 23 | +3 |
| 9º | Portuguesa | 43 | 23 | 12 | 2 | — | 6 | 3 | 28 | 21 | +7 |
| 10º | Atlético-MG | 40 | 23 | 8 | 6 | — | 5 | 4 | 22 | 22 | 0 |
| 11º | São Paulo | 39 | 23 | 9 | 4 | — | 6 | 4 | 21 | 18 | +3 |
| 12º | Coritiba | 36 | 23 | 8 | 5 | — | 8 | 2 | 20 | 17 | +3 |
| 13º | Goiás | 34 | 23 | 5 | 8 | — | 7 | 3 | 21 | 21 | 0 |
| 14º | Guarani | 32 | 23 | 7 | 2 | — | 7 | 7 | 20 | 22 | −2 |
| 15º | Corinthians | 32 | 23 | 6 | 5 | — | 8 | 4 | 21 | 22 | −1 |
| 16º | Palmeiras | 31 | 23 | 7 | 3 | — | 8 | 5 | 21 | 22 | −1 |
| 17º | Botafogo | 31 | 23 | 7 | 3 | — | 9 | 4 | 17 | 22 | −5 |
| 18º | Santos | 31 | 23 | 7 | 3 | — | 9 | 4 | 19 | 25 | −6 |
| 19º | Atlético-PR | 31 | 23 | 5 | 5 | — | 7 | 6 | 18 | 17 | +1 |
| 20º | Vitória | 30 | 23 | 7 | 3 | — | 10 | 3 | 21 | 30 | −9 |
| 21º | Bangu | 28 | 23 | 4 | 6 | — | 9 | 4 | 15 | 22 | −7 |
| 22º | Santa Cruz | 27 | 23 | 5 | 5 | — | 11 | 2 | 19 | 28 | −9 |
| 23º | Criciúma | 14 | 23 | 1 | 3 | — | 14 | 5 | 12 | 34 | −22 |
| 24º | América-RJ | 13 | 23 | 2 | 1 | — | 15 | 5 | 11 | 31 | −20 |
O Internacional fez mais pontos que o campeão Bahia (53 contra 52) e teve o melhor ataque da competição, mas perdeu o título no placar agregado da final. O Vasco, com 56 pontos, foi o clube com maior pontuação do campeonato. Os quatro últimos colocados — Bangu, Santa Cruz, Criciúma e América-RJ — foram rebaixados para a Série B de 1989.
| Gols | Jogador | Clube |
|---|---|---|
| 15 | Nílson | Internacional |
| 9 | Zé Carlos | Bahia |
| 9 | Bebeto | Flamengo |
| 8 | Renato | Atlético-MG |
| 8 | Hamílton | Cruzeiro |
| 8 | Cuca | Grêmio |
| 8 | Gaúcho | Palmeiras |
| 8 | Kita | Portuguesa |
| 8 | Bismarck | Vasco |
| 6 | Bobô | Bahia |
Fonte: Bola na Área
O Campeonato Brasileiro de 1988, originalmente denominado "Copa Brasil" pela CBF, foi a 33ª edição da competição. Com 24 clubes, o torneio foi realizado entre 2 de setembro de 1988 e 19 de fevereiro de 1989, após 290 partidas e 548 gols marcados.
O grande campeão foi o Bahia, que conquistou seu 2º título nacional — o primeiro havia sido a Taça Brasil de 1959. A campanha do Tricolor baiano foi sólida: 13 vitórias, 11 empates e 5 derrotas em 29 jogos, com 33 gols marcados e 23 sofridos.
O time comandado por Evaristo de Macedo contava com um elenco talentoso: Ronaldo (goleiro), João Marcelo, Paulo Rodrigues, Zé Carlos, Gil, Bobô (autor dos dois gols da final) e Charles (jovem revelação).
A final contra o Internacional foi emocionante. No primeiro jogo, na Fonte Nova, diante de 90.508 torcedores, o Bahia virou o jogo e venceu por 2 a 1, com dois gols de Bobô. No segundo jogo, no Beira-Rio, o 0 a 0 garantiu o título ao Bahia, que calou o estádio colorado.
A edição de 1988 também ficou marcada pela "Lei dos Pênaltis" — uma regra inusitada que obrigava todos os jogos empatados a irem para a disputa de pênaltis, com o vencedor ganhando um ponto extra. O regulamento foi alterado no meio da competição, gerando situações bizarras, como o jogo Botafogo × Fluminense que foi disputado um mês depois apenas para a cobrança de pênaltis.
Pela primeira vez na história, o Brasileirão teve um sistema de rebaixamento, com Bangu, Santa Cruz, Criciúma e América-RJ caindo para a Série B. O Internacional de Limeira e o Náutico foram os promovidos.
Com a conquista, o Bahia se consolidou como o último campeão nordestino do Brasil — feito que permanece inédito até os dias de hoje. A final de 1988, com sua virada heroica, a "ajuda do sobrenatural" e a festa da torcida baiana, entrou para a história como uma das mais memoráveis do Campeonato Brasileiro.
Conteúdo histórico baseado em fontes oficiais e acervos esportivos.