O bicampeonato tricolor e a final mais emocionante da história do Brasileirão.
Nota: Esta edição foi oficialmente denominada "Copa Brasil" pela CBF.
3º colocado: Atlético-MG · 4º colocado: América-RJ
O Campeonato Brasileiro de 1986 foi marcado por uma série de controvérsias e mudanças regulamentares que impactaram diretamente a competição. Originalmente, o torneio seria disputado por 44 equipes, mas o regulamento foi alterado durante a competição.
Durante a primeira fase, o Vasco da Gama, que corria risco de não se classificar, entrou com uma ação na Justiça Comum para anular uma decisão do STJD. A CBF, para atender aos clubes em litígio, resolveu alterar o regulamento durante a competição, classificando 36 times em vez dos 32 previstos originalmente. Isso beneficiou não apenas o Vasco, mas também Náutico, Santa Cruz e Sobradinho. A segunda fase, que teria 8 grupos de 4 clubes, foi alterada para 4 grupos de 9.
Saldo de gols: +40 · Pontos: 47
O São Paulo, comandado pelo técnico Pepe, fez uma campanha sólida desde o início. Na primeira fase, o time teve o melhor ataque da competição, com 62 gols. Careca foi o grande destaque, sendo o artilheiro do campeonato com 25 gols.
Nas oitavas de final, o São Paulo avançou pelo saldo de gols após perder fora e vencer em casa. Nas quartas de final, o Fluminense venceu o primeiro jogo por 1 a 0 no Rio, mas o São Paulo devolveu com um 2 a 0 no Morumbi, garantindo a classificação. Na semifinal, o Tricolor venceu o América-RJ por 1 a 0 no Morumbi e empatou por 1 a 1 no Rio de Janeiro, chegando à final.
A decisão do Campeonato Brasileiro de 1986 colocou frente a frente dois clubes paulistas: São Paulo e Guarani. Os jogos foram realizados apenas em fevereiro de 1987, devido às paralisações do torneio.
| Data | Jogo | Estádio | Resultado | Público |
|---|---|---|---|---|
| 22/02/1987 | São Paulo × Guarani | Morumbi (SP) | 1 – 1 | — |
| 25/02/1987 | Guarani × São Paulo | Brinco de Ouro (Campinas) | 3 – 3 (4 – 3 nos pênaltis) | 50.669 |
A disputa por pênaltis foi emocionante e dramática:
Com a vitória nos pênaltis, o São Paulo conquistou seu segundo título nacional — o primeiro havia sido em 1977, também nos pênaltis. Foi a terceira e última vez que o Campeonato Brasileiro foi decidido dessa forma.
Classificação geral do campeonato (PG = pontos, J = jogos, V = vitórias, E = empates, D = derrotas, GP = gols pró, GC = gols contra, SG = saldo). Fonte: Bola na Área.
| Pos. | Clube | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | São Paulo (Campeão) | 47 | 34 | 17 | 13 | 4 | 62 | 22 | +40 |
| 2º | Guarani | 53 | 34 | 21 | 11 | 2 | 59 | 18 | +41 |
| 3º | Atlético-MG | 45 | 32 | 17 | 11 | 4 | 39 | 20 | +19 |
| 4º | América-RJ | 34 | 32 | 11 | 12 | 9 | 29 | 29 | 0 |
| 5º | Bahia | 40 | 30 | 17 | 6 | 7 | 40 | 21 | +19 |
| 6º | Fluminense | 38 | 30 | 16 | 6 | 8 | 33 | 19 | +14 |
| 7º | Corinthians | 38 | 30 | 13 | 12 | 5 | 42 | 20 | +12 |
| 8º | Cruzeiro | 36 | 30 | 12 | 12 | 6 | 38 | 21 | +17 |
| 9º | Palmeiras | 34 | 28 | 12 | 10 | 6 | 42 | 23 | +19 |
| 10º | Portuguesa | 34 | 28 | 11 | 12 | 5 | 31 | 23 | +8 |
| 11º | Flamengo | 32 | 28 | 12 | 8 | 8 | 34 | 19 | +15 |
| 12º | Joinville | 29 | 28 | 8 | 13 | 7 | 30 | 31 | −1 |
| 13º | Vasco | 28 | 28 | 10 | 8 | 10 | 35 | 24 | +11 |
| 14º | Grêmio | 28 | 28 | 9 | 10 | 9 | 32 | 27 | +5 |
| 15º | Criciúma | 21 | 18 | 8 | 5 | 5 | 16 | 15 | +1 |
| 16º | Inter de Limeira | 20 | 18 | 7 | 6 | 5 | 21 | 22 | −1 |
| 17º | Internacional | 32 | 26 | 12 | 8 | 6 | 40 | 23 | +17 |
| 18º | Atlético-PR | 29 | 26 | 9 | 11 | 6 | 27 | 17 | +10 |
| 19º | Santos | 29 | 26 | 9 | 11 | 6 | 25 | 16 | +9 |
| 20º | Rio Branco-ES | 27 | 26 | 10 | 7 | 9 | 29 | 29 | 0 |
| Classificação completa disponível em fontes históricas | |||||||||
O Guarani fez mais pontos que o campeão São Paulo (53 contra 47) e teve o melhor saldo de gols (+41 contra +40), mas perdeu o título nos pênaltis. Foi a primeira vez que o vice-campeão teve mais pontos que o campeão.
O Campeonato Brasileiro de 1986, oficialmente denominado "Copa Brasil" pela CBF, foi a 31ª edição da competição. Com 80 clubes — o maior número da história —, o torneio foi realizado entre 30 de agosto de 1986 e 25 de fevereiro de 1987, após 681 partidas e 1.422 gols marcados.
O grande campeão foi o São Paulo, que conquistou seu 2º título nacional com uma campanha sólida: 17 vitórias, 13 empates e apenas 4 derrotas em 34 jogos, com 62 gols marcados e 22 sofridos — o melhor ataque da competição.
O time comandado por Pepe contava com um elenco de estrelas: Gilmar Rinaldi (goleiro), Dario Pereyra, Wagner, Rômulo, Fonseca, Mineiro, Pita (autor do gol na prorrogação da final) e Careca — artilheiro com 25 gols e Bola de Ouro de 1986.
A final contra o Guarani foi uma das mais emocionantes da história do Brasileirão. No primeiro jogo, no Morumbi, empate em 1 a 1 com gols de Careca e Evair. No segundo jogo, no Brinco de Ouro, em Campinas, o São Paulo abriu 2 a 1 na prorrogação, mas o Guarani virou para 3 a 2. Careca, nos minutos finais, garantiu o empate em 3 a 3, forçando a decisão nos pênaltis.
Na disputa por pênaltis, Gilmar defendeu a cobrança de Boiadeiro, João Paulo desperdiçou a sua, e os são-paulinos acertaram todas as cobranças, vencendo por 4 a 3. Foi a terceira e última vez que o Brasileirão foi decidido nos pênaltis.
O Guarani, mesmo vice-campeão, fez mais pontos que o São Paulo (53 contra 47) e teve o melhor saldo de gols da competição (+41). Foi a primeira vez na história que o vice-campeão teve uma campanha superior à do campeão em número de pontos.
A edição de 1986 também ficou marcada por enormes controvérsias. O Vasco da Gama, que corria risco de eliminação, entrou na Justiça e conseguiu mudar o regulamento durante a competição, aumentando o número de classificados de 32 para 36. Essa "virada de mesa" gerou revolta entre os clubes e é lembrada até hoje como um dos episódios mais polêmicos da história do futebol brasileiro.
Com a conquista, o São Paulo se consolidou como uma das grandes forças do futebol brasileiro, com dois títulos nacionais (1977 e 1986). A final de 1986, com seus 6 gols, a virada do Guarani, o empate heroico de Careca e a emoção dos pênaltis, é lembrada até hoje como a mais emocionante da história do Campeonato Brasileiro.
Conteúdo histórico baseado em fontes oficiais e acervos esportivos.