A conquista inesperada do Coritiba e a final das zebras no Maracanã.
Nota: Esta edição foi oficialmente denominada "Taça de Ouro" pela CBF.
3º colocado: Brasil de Pelotas (RS) · 4º colocado: Atlético-MG
Em 1985, na prática, a Taça de Ouro e a Taça de Prata foram fundidas num único campeonato. Os 20 clubes melhores colocados no Ranking da CBF foram reunidos nos grupos A e B; os demais 24, nos grupos C e D.
Não houve rebaixamento nesta edição.
Saldo de gols: -2 · Pontos: 31
O Coritiba conquistou o título com um saldo de gols negativo (-2), uma raridade no futebol mundial. Em 29 jogos, o time venceu apenas 12 partidas (41,37% de aproveitamento).
O Coritiba começou a campanha no Grupo A da primeira fase. O time sofreu no primeiro turno, mas embalou no segundo turno, garantindo a classificação. Nas fases seguintes, o time de Curitiba foi construindo uma campanha sólida, com destaque para a defesa, que sofreu apenas 27 gols em 29 jogos.
Na semifinal, o Coritiba enfrentou o Atlético-MG — o único representante dos "grandes" (G-12) entre os oito melhores. No primeiro jogo, em Curitiba, vitória por 1 a 0. No segundo, em Belo Horizonte, empate em 0 a 0, garantindo a vaga na final.
A decisão do Campeonato Brasileiro de 1985 colocou frente a frente dois clubes que ninguém esperava: Bangu, do Rio de Janeiro, e Coritiba, do Paraná. Foi a primeira vez que a final do Brasileirão não contou com nenhum representante dos chamados "clubes grandes". O jogo foi realizado em partida única no Maracanã, com mando do Bangu, que tinha a melhor campanha.
| Data | Jogo | Estádio | Resultado | Público |
|---|---|---|---|---|
| 31/07/1985 | Bangu × Coritiba | Maracanã (RJ) | 1 – 1 (6 – 5 nos pênaltis) | 91.257 |
Com o empate em 1 a 1 no tempo normal, a decisão foi para as cobranças de pênaltis. Foi o segundo Campeonato Brasileiro decidido desta forma (o primeiro foi em 1977). O Coritiba venceu por 6 a 5 e conquistou o título inédito.
Curiosamente, o atacante Ado, do Bangu, que havia sido eleito o melhor atacante da competição (Bola de Prata), desperdiçou sua cobrança na decisão.
Classificação geral do campeonato (PG = pontos, J = jogos, V = vitórias, E = empates, D = derrotas, GP = gols pró, GC = gols contra, SG = saldo). Fonte: Bola na Área.
| Pos. | Clube | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Coritiba (Campeão) | 31 | 29 | 12 | 7 | 10 | 25 | 27 | −2 |
| 2º | Bangu | 48 | 31 | 20 | 8 | 3 | 55 | 23 | +32 |
| 3º | Brasil de Pelotas | 36 | 30 | 14 | 8 | 8 | 48 | 33 | +15 |
| 4º | Atlético-MG | 35 | 28 | 13 | 9 | 6 | 37 | 23 | +14 |
| 5º | Sport | 45 | 28 | 20 | 5 | 3 | 49 | 16 | +33 |
| 6º | Ponte Preta | 38 | 28 | 13 | 12 | 3 | 41 | 21 | +20 |
| 7º | Ceará | 36 | 28 | 14 | 8 | 6 | 39 | 29 | +10 |
| 8º | Joinville | 32 | 28 | 13 | 6 | 9 | 36 | 23 | +13 |
| 9º | Flamengo | 30 | 26 | 11 | 8 | 7 | 40 | 23 | +17 |
| 10º | Internacional | 30 | 26 | 11 | 8 | 7 | 36 | 23 | +13 |
| 11º | Vasco | 30 | 26 | 11 | 8 | 7 | 37 | 31 | +6 |
| 12º | Bahia | 29 | 26 | 11 | 7 | 8 | 35 | 29 | +6 |
| 13º | CSA | 29 | 28 | 10 | 9 | 9 | 33 | 29 | +4 |
| 14º | Guarani | 29 | 26 | 8 | 13 | 5 | 36 | 26 | +10 |
| 15º | Mixto | 27 | 28 | 10 | 9 | 9 | 27 | 36 | −9 |
| 16º | Corinthians | 27 | 26 | 9 | 9 | 8 | 27 | 22 | +5 |
| 17º | Paysandu | 25 | 22 | 8 | 9 | 5 | 26 | 21 | +5 |
| 18º | Nacional-AM | 24 | 22 | 10 | 4 | 8 | 39 | 29 | +10 |
| 19º | Botafogo-PB | 24 | 22 | 7 | 10 | 5 | 21 | 23 | −2 |
| 20º | Brasília | 23 | 22 | 8 | 7 | 7 | 22 | 22 | 0 |
| Classificação completa disponível em fontes históricas | |||||||||
O Bangu, com 48 pontos, teve a melhor campanha da competição, mas perdeu o título nos pênaltis. O Coritiba, com apenas 31 pontos, foi o campeão com a pior pontuação da história do Brasileirão.
O Campeonato Brasileiro de 1985, oficialmente denominado "Taça de Ouro" pela CBF, foi a 30ª edição da competição. Com 44 clubes, o torneio foi realizado entre 26 de janeiro e 31 de julho, após 517 partidas e 1.243 gols marcados.
O grande campeão foi o Coritiba, que conquistou seu 1º título nacional — o primeiro de um clube paranaense. A campanha do Coxa foi uma das mais improváveis da história do futebol: em 29 jogos, o time teve 12 vitórias, 7 empates e 10 derrotas, com 25 gols marcados e 27 sofridos — saldo negativo de -2.
O time comandado por Ênio Andrade — que se tornou o segundo treinador a vencer o Brasileirão por três clubes diferentes — contava com um elenco guerreiro: Rafael (goleiro), André, Dida, Gomes, Heraldo, Vavá, Almir, Elizeu e Índio (autor do gol do empate na final).
A final contra o Bangu foi uma das mais inusitadas da história do Brasileirão. Pela primeira vez, a decisão não contou com nenhum representante dos "clubes grandes". No Maracanã, diante de 91.257 pagantes, o jogo terminou empatado em 1 a 1. Marinho abriu o placar para o Bangu, e Índio empatou para o Coritiba, ainda no primeiro tempo.
Na disputa por pênaltis, o Coritiba venceu por 6 a 5 e conquistou o título inédito. Foi o segundo Brasileirão decidido nos pênaltis (o primeiro foi em 1977). O atacante Ado, do Bangu, eleito o melhor atacante da competição (Bola de Prata), desperdiçou sua cobrança na decisão.
Com a conquista, o Coritiba entrou para a história como o campeão mais improvável do Campeonato Brasileiro. A final de 1985, com suas duas zebras e a emoção dos pênaltis, é lembrada até hoje como uma das mais surpreendentes e memoráveis da competição.
Conteúdo histórico baseado em fontes oficiais e acervos esportivos.