A história de Minas Gerais está ligada à ocupação do território, à mineração e à formação de sua organização administrativa. O desbravamento da região ocorreu a partir do século XVI, intensificando-se com as expedições em busca de ouro e pedras preciosas.
Em 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Em 1720, a região foi desmembrada de São Paulo, dando origem à Capitania de Minas Gerais. A separação foi acompanhada pela criação de estruturas administrativas e pela formação das primeiras vilas, entre elas Vila do Ribeirão do Carmo, Vila Rica e Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabará, atuais Mariana, Ouro Preto e Sabará.
Durante o período colonial, a mineração tornou Minas Gerais um importante centro econômico. No século XVIII, o declínio da produção de ouro e o aumento da cobrança de impostos contribuíram para o contexto da Inconfidência Mineira, em 1789.
Após a Independência, Minas passou a integrar a organização provincial do Império. Com a Proclamação da República, em 1889, ocorreram novas mudanças administrativas, consolidando Minas Gerais como estado da República.
Segundo o IBGE, o Censo Demográfico 2022 registrou 20.539.989 habitantes em Minas Gerais. [IBGE]
Antes da chegada dos portugueses, o território que atualmente corresponde a Minas Gerais já era habitado por povos indígenas. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais destaca que os indígenas são povos originários e possuem organização social, culturas e tradições próprias.
Entre os povos indígenas com presença histórica em Minas Gerais estão os Pataxó e os Pankararu. A Assembleia Legislativa registra que essas comunidades possuem presença principalmente no Vale do Jequitinhonha. Em 2026, a ALMG recebeu o Projeto de Lei nº 5.580/2026, que propõe reconhecer como de relevante interesse cultural a Comunidade Indígena Pankararu e Pataxó localizada no Vale do Jequitinhonha.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) atua na proteção dos direitos dos povos indígenas e nos processos relacionados às terras indígenas. A Funai mantém uma Coordenação Regional em Minas Gerais e Espírito Santo, que atua junto a povos como Krenak, Pataxó, Maxakali, Pankararu, Xakriabá, Kaxixó e Xukuru-Kariri, entre outros.
A Funai também disponibiliza informações sobre terras indígenas, incluindo dados sobre sua situação e processos de demarcação. [PL]
O desbravamento da região que atualmente corresponde ao estado de Minas Gerais teve início no século XVI, com a atuação de bandeirantes que avançavam pelo interior em busca de ouro e pedras preciosas. As expedições partiram principalmente de São Paulo e São Vicente e contribuíram para o conhecimento e a ocupação de áreas do interior da colônia.
No século XVII, novas expedições continuaram avançando pelos sertões. Entre elas, destacou-se a bandeira de Fernão Dias Paes Leme, que percorreu a região em busca de riquezas minerais. Essas incursões contribuíram para a expansão da ocupação portuguesa para o interior.
No final do século XVII, foram encontrados vestígios de ouro na região das Minas. A descoberta provocou intenso movimento de pessoas em direção ao território, atraídas pelas possibilidades de enriquecimento. O afluxo populacional aumentou rapidamente e surgiram diversos arraiais e núcleos de povoamento.
A exploração do ouro também provocou disputas pelo controle das áreas mineradoras. Os conflitos entre paulistas e outros exploradores contribuíram para a Guerra dos Emboabas, ocorrida entre 1708 e 1709. Depois desse período, a Coroa portuguesa reorganizou a administração da região, criando, em 1709, a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. [história]
A ocupação da região que hoje corresponde a Minas Gerais intensificou-se no final do século XVII, com as expedições de bandeirantes paulistas em busca de ouro e pedras preciosas. O Governo de Minas Gerais informa que o desbravamento da região havia começado ainda no século XVI e que, no final do século XVII, as expedições avançaram pelo território em busca de riquezas minerais.
No final do século XVII, foram registradas descobertas de ouro nas regiões das Minas Gerais. Segundo publicação do IBGE, essas descobertas tiveram papel importante na expansão territorial e na reorganização administrativa da colônia portuguesa. O início do século XVIII foi marcado pela chegada de grande quantidade de pessoas atraídas pela procura de ouro.
A atividade mineradora provocou um rápido povoamento da região. O Governo de Minas Gerais destaca que, no início do século XVIII, Minas Gerais tornou-se um importante centro econômico da colônia, com rápido crescimento populacional.
A expansão da mineração também contribuiu para a criação de novos povoados, caminhos e estruturas administrativas. O crescimento da população e a importância econômica das minas levaram a Coroa portuguesa a ampliar sua presença e seu controle sobre o território. [história]
O Ciclo do Ouro foi um dos períodos mais importantes da formação histórica de Minas Gerais. A descoberta de ouro na região, entre o final do século XVII e o início do século XVIII, provocou intenso deslocamento de população e contribuiu para o rápido povoamento do território. A mineração tornou a região um importante centro econômico da América portuguesa.
Em 1711, foram criadas as três primeiras vilas oficiais da região: Vila do Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, atual Mariana; Vila Rica, atual Ouro Preto; e Vila Real de Nossa Senhora da Conceição, atual Sabará. Essas localidades tornaram-se importantes centros políticos e econômicos da Capitania de Minas Gerais.
A exploração do ouro também levou a Coroa portuguesa a ampliar seu controle administrativo e fiscal sobre o território. Foram adotadas medidas para organizar a administração das minas e garantir a cobrança do quinto, imposto sobre o ouro extraído. As Casas de Fundição tiveram papel importante nesse sistema de fiscalização e arrecadação.
Com a expansão da mineração, Minas Gerais passou por grande crescimento populacional e pela formação de numerosos arraiais e vilas. A riqueza produzida pela atividade mineradora também deixou um importante patrimônio histórico, arquitetônico e cultural, preservado até hoje em cidades como Ouro Preto, Mariana e Sabará. [história]
A descoberta do ouro provocou intenso fluxo de pessoas para a região das Minas e também disputas pelo controle da exploração. Os paulistas, considerados pioneiros na ocupação da área mineradora, reivindicavam o direito de explorar as minas, enquanto portugueses e outros forasteiros chegavam em busca de riquezas. O conflito entre esses grupos ficou conhecido como Guerra dos Emboabas e ocorreu entre 1707 e 1709.
A Guerra dos Emboabas envolveu confrontos em diferentes localidades da região mineradora. Um dos episódios mais violentos ocorreu em 1709, no chamado Capão da Traição, quando um grupo de paulistas foi atacado após a rendição.
Após os conflitos, a Coroa portuguesa tomou medidas para ampliar o controle administrativo sobre a região. Em 9 de novembro de 1709, Dom João V determinou a divisão da Capitania do Rio de Janeiro, criando a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho foi nomeado seu governador.
A nova organização administrativa foi um passo importante para a formação territorial de Minas Gerais. Em 1720, a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro foi novamente desmembrada, dando origem às capitanias de São Paulo e de Minas Gerais. [vilas]
A Capitania de Minas Gerais foi criada em 2 de dezembro de 1720, quando a Coroa portuguesa determinou a separação da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. A decisão foi formalizada por meio de uma Carta Régia e estabeleceu uma nova organização político-administrativa para o território das minas.
A região havia adquirido grande importância para a Coroa portuguesa devido à exploração do ouro. A necessidade de controlar a mineração, a arrecadação dos tributos e a administração do território contribuiu para o fortalecimento da estrutura administrativa colonial.
Em 1720 ocorreu a chamada Sedição de Vila Rica, também conhecida como Revolta de Filipe dos Santos. O movimento esteve relacionado às medidas adotadas pela Coroa para aumentar o controle sobre a produção e a tributação do ouro, incluindo a implantação das Casas de Fundição. Os revoltosos se opuseram à criação dessas casas e apresentaram outras reivindicações às autoridades.
A separação entre Minas e São Paulo foi formalizada em 2 de dezembro daquele ano. A nova capitania passou a contar com autonomia política, econômica e militar, sob um governador nomeado pelo rei.
A criação da Capitania de Minas Gerais marcou uma etapa fundamental na formação político-administrativa do território que posteriormente constituiria o estado de Minas Gerais.
Durante o século XVIII, Minas Gerais tornou-se um importante centro econômico da América Portuguesa. A descoberta do ouro provocou rápida ocupação do território e contribuiu para a formação de uma significativa rede urbana. A economia mineira, inicialmente concentrada na mineração, também passou a desenvolver atividades agropecuárias, manufatureiras e de serviços para atender às necessidades da população.
A mineração de ouro esteve associada ao trabalho escravizado e ao fortalecimento do controle da Coroa portuguesa sobre a região. Foram criados mecanismos de fiscalização e tributação, incluindo as Casas de Fundição, responsáveis por controlar a produção e a circulação do ouro. Em 1720, a criação da Capitania de Minas Gerais reforçou a presença administrativa da Coroa no território.
Por volta de 1729, foram anunciadas descobertas de diamantes na região do atual Serro. Em 1734, foi criado o Distrito Diamantino, com sede no Arraial do Tejuco, atual Diamantina, estabelecendo-se regras específicas para controlar a exploração das pedras preciosas.
O crescimento da mineração, da população e das atividades comerciais contribuiu para o desenvolvimento de vilas e cidades, tornando a sociedade mineira do século XVIII marcada por intensa movimentação econômica, social e política. [ouro e diamantes em Minas Gerais]
A exploração do ouro e dos diamantes teve grande importância na formação econômica e social de Minas Gerais durante o período colonial. Segundo o Governo de Minas Gerais, a escravização constituía um dos pilares das relações sociais e econômicas da sociedade colonial mineira. A exploração do ouro e a descoberta dos diamantes contribuíram para o crescimento e o povoamento da região durante o século XVIII.
Documentos do Serviço Geológico do Brasil também registram a utilização de trabalhadores escravizados na mineração de ouro em Minas Gerais durante o século XIX. Na Mina de Gongo Soco, por exemplo, havia trabalhadores escravizados empregados em diferentes atividades relacionadas à extração e ao beneficiamento do ouro.
A escravidão foi oficialmente abolida no Brasil em 1888. Entretanto, o trabalho em condições análogas à escravidão continua sendo combatido pelos órgãos públicos. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego registram que Minas Gerais apresentou, em 2022, o maior número de trabalhadores resgatados em ações de fiscalização: 1.070 pessoas. O órgão informa ainda que, desde 2013, Minas Gerais ocupa a primeira posição entre as unidades da Federação nesse indicador.
Em 2024, operações de fiscalização continuaram identificando trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão no estado. [ouro e diamantes em Minas Gerais]
Em 1789, no contexto do declínio da atividade mineradora e das dificuldades econômicas da Capitania de Minas Gerais, ocorreu a Inconfidência Mineira. O movimento foi influenciado pelas ideias iluministas e pela Independência das Treze Colônias inglesas na América do Norte.
A conspiração reuniu principalmente integrantes da elite colonial, incluindo proprietários rurais, pessoas ligadas à exploração aurífera, intelectuais, clérigos e militares. Seus participantes se opunham às determinações do domínio colonial português e pretendiam romper as relações entre a colônia e a metrópole.
A cobrança de impostos e as dívidas acumuladas com a Coroa estavam entre os fatores que contribuíram para o descontentamento. A iminência da cobrança da derrama aumentou a tensão entre os envolvidos na conspiração. Em março de 1789, Joaquim Silvério dos Reis denunciou o movimento ao governador, Visconde de Barbacena.
O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, está instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia. O museu foi inaugurado em 1944 com a finalidade de preservar, pesquisar e divulgar objetos e documentos relacionados à Inconfidência Mineira. Seu acervo reúne cerca de 4 mil itens históricos e artísticos.
Após a Independência do Brasil, Minas Gerais passou a integrar o Império do Brasil como província. A organização administrativa das províncias foi modificada pela Lei de 20 de outubro de 1823, que substituiu as Juntas Provisórias de Governo pelo Presidente da Província e por um Conselho de Governo.
A Constituição Política do Império do Brasil, promulgada em 25 de março de 1824, estabeleceu os Conselhos Gerais das Províncias e definiu novas bases para a organização política e administrativa do Império.
Em Minas Gerais, a Presidência da Província passou a constituir parte da estrutura administrativa provincial. Segundo o Arquivo Público Mineiro, o Presidente da Província tinha entre suas atribuições administrar órgãos e serviços provinciais, como obras públicas, instrução pública e tesouraria provincial, além de executar a legislação provincial e imperial.
O Arquivo Público Mineiro conserva documentos da Presidência da Província, cujo fundo possui registros relacionados à administração de Minas Gerais durante o período imperial. A documentação da Presidência da Província abrange, entre outros assuntos, eleições, fazenda, justiça, força pública, câmaras municipais e correspondências administrativas. [Saiba Mais]
Durante o período do Império do Brasil, Minas Gerais constituiu uma das principais províncias do país. A organização administrativa da província passou por transformações ao longo do século XIX, acompanhando o desenvolvimento político e territorial de Minas Gerais.
Em 6 de março de 1838, a Assembleia Legislativa Provincial de Minas Gerais aprovou a Lei nº 93, que elevou à categoria de cidades as vilas de São João del-Rei, Sabará, Príncipe e Diamantina. A mesma legislação determinou que Príncipe passasse a denominar-se Cidade do Serro.
A lei estabeleceu ainda que as novas cidades gozariam dos foros e privilégios concedidos pelas leis às demais cidades do Império. O documento foi sancionado pelo presidente da Província de Minas Gerais, José Cezário de Miranda Ribeiro, e publicado em Ouro Preto, então sede do governo provincial.
A documentação do Arquivo Público Mineiro também registra a presença de São João del-Rei, Sabará, Serro e Diamantina na organização administrativa da Província durante o século XIX.
Assim, a elevação dessas localidades a cidades representa uma etapa importante da organização político-administrativa de Minas Gerais durante o período imperial. [Lei]
No século XIX, a cafeicultura tornou-se uma das principais atividades econômicas de Minas Gerais. Introduzido no início do século, o cultivo do café teve forte expansão, especialmente na Zona da Mata, contribuindo para o povoamento e o desenvolvimento da infraestrutura de transportes do estado.
Na Zona da Mata, o crescimento da produção e das exportações aumentou a necessidade de melhorar o transporte do café. A construção de rodovias e, posteriormente, a implantação de ferrovias facilitaram o escoamento da produção para os centros consumidores e os portos do litoral.
A Estrada de Ferro Leopoldina, inaugurada em 1874, surgiu por iniciativa de fazendeiros e comerciantes da Zona da Mata e esteve diretamente relacionada à expansão da lavoura cafeeira. A implantação das ferrovias também contribuiu para o desenvolvimento econômico de diferentes regiões mineiras.
A cafeicultura, portanto, teve papel importante na transformação econômica e territorial de Minas Gerais durante o século XIX, estimulando a expansão das áreas produtoras, dos transportes e das atividades comerciais ligadas ao escoamento da produção. [café]
A expansão das ferrovias esteve relacionada ao desenvolvimento das vias de transporte e das atividades econômicas de Minas Gerais. Durante o período provincial, o poder público manteve órgãos responsáveis pela construção, conservação e fiscalização de estradas e outras obras públicas. A documentação do Arquivo Público Mineiro registra essa atuação entre o Império e os primeiros anos da República.
A implantação das ferrovias ampliou as conexões de Minas Gerais com outras regiões do país. Na Zona da Mata, a Estrada de Ferro Leopoldina alcançou a região mineira a partir de Porto Novo do Cunha e posteriormente avançou em direção a São Paulo, integrando-se às linhas que percorriam o Vale do Paraíba. Segundo estudo publicado pelo IBGE, essas conexões tiveram relação com o transporte da produção de áreas cafeeiras para os portos do Rio de Janeiro e de Santos.
O Arquivo Público Mineiro também conserva registros de diferentes ferrovias, incluindo documentos sobre a malha ferroviária da Central do Brasil e a inauguração de trechos ferroviários em Minas Gerais.
Assim, as ferrovias contribuíram para ampliar a integração territorial de Minas Gerais e suas ligações econômicas com outras regiões brasileiras. [PDF]
A imigração europeia também fez parte da formação histórica de Minas Gerais durante o século XIX. Em Juiz de Fora, a partir de 1858, cerca de 1.200 imigrantes germânicos chegaram à região para constituir a Colônia Agrícola Dom Pedro II. A presença desses imigrantes esteve relacionada às iniciativas de colonização e ao desenvolvimento da região.
Os imigrantes alemães participaram de diferentes atividades econômicas em Juiz de Fora. Segundo registros históricos do município, sua atuação esteve presente na construção civil e em atividades industriais e comerciais, incluindo os setores têxtil, de cervejarias, curtumes e fundições.
A imigração continuou nas décadas seguintes. No final do século XIX, italianos também chegaram em número significativo a Juiz de Fora, onde trabalharam na produção cafeeira, na indústria, na construção civil e em atividades artesanais e comerciais.
O Governo de Minas Gerais mantém documentos históricos sobre a imigração no estado. O Arquivo Público Mineiro possui registros de imigrantes e documentos relacionados às hospedarias mantidas pelo governo estadual, incluindo a Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora.
Assim, a imigração contribuiu para a formação social e econômica de diferentes regiões de Minas Gerais, especialmente por meio da participação dos imigrantes em atividades agrícolas, industriais, comerciais e de construção. [Lei]
A escravidão foi oficialmente abolida no Brasil pela Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888, conhecida como Lei Áurea. O artigo 1º da lei declarou extinta, a partir daquela data, a escravidão no Brasil. A legislação foi assinada pela Princesa Imperial Regente, em nome de Dom Pedro II.
Em Minas Gerais, a abolição ocorreu em uma sociedade na qual o trabalho escravizado ainda fazia parte de importantes atividades econômicas. Estudos da Fundação João Pinheiro registram que, às vésperas de 1888, fazendas de café da Zona da Mata ainda utilizavam mão de obra escravizada. Anúncios publicados em 1887 também registravam a perseguição a escravizados fugitivos na região.
A Lei Áurea extinguiu legalmente a escravidão, mas não estabeleceu medidas de integração social, econômica ou educacional para os libertos. O Arquivo Nacional destaca que a lei não regulamentou os caminhos a serem seguidos após a liberdade, deixando os ex-escravizados sem uma política agrária, trabalhista ou educacional de inclusão.
Assim, a abolição representou uma profunda mudança na sociedade brasileira e mineira, encerrando juridicamente o regime escravista, mas deixando desafios sociais que permaneceram nas décadas seguintes. [Lei]
A Proclamação da República ocorreu em 15 de novembro de 1889. Na mesma data, o Governo Provisório publicou o Decreto nº 1, que proclamou a República Federativa como forma de governo e estabeleceu que as antigas províncias do Brasil, reunidas pelo vínculo federativo, passariam a constituir os Estados Unidos do Brasil.
Com a mudança do regime político, Minas Gerais deixou de ser uma província do Império e passou a organizar-se como estado federado. O próprio Decreto nº 1 determinava que cada novo estado deveria elaborar sua Constituição e organizar seus poderes locais.
Em Minas Gerais, o Congresso Constituinte elaborou a primeira Constituição estadual. Ela foi promulgada em 15 de junho de 1891, em Ouro Preto, então capital do estado. O texto constitucional estabeleceu que o Estado Federado de Minas Gerais se organizaria como parte integrante da República dos Estados Unidos do Brasil.
A Constituição de 1891 também definiu a organização política do novo estado e estabeleceu normas para seus poderes. Entre suas disposições estava a previsão de mudança da capital estadual para um local que apresentasse condições adequadas à construção de uma nova cidade. [Lei]
Durante a Primeira República, Minas Gerais teve importante participação na política nacional. Ao lado de São Paulo, o estado esteve associado ao sistema de alianças políticas conhecido como “política do café com leite”, cuja influência se destacou entre 1889 e 1930. Minas Gerais e São Paulo possuíam grandes bancadas parlamentares e exerceram influência significativa na política nacional.
Nesse contexto, João Pinheiro da Silva foi uma importante liderança política mineira. Nascido no Serro, em 16 de dezembro de 1860, participou do movimento republicano e exerceu diferentes funções públicas. Foi deputado federal, senador e presidente do Estado de Minas Gerais.
João Pinheiro assumiu a Presidência de Minas Gerais em 7 de setembro de 1906. Seu governo esteve voltado para questões administrativas e para iniciativas relacionadas ao desenvolvimento econômico, educacional e social do estado.
João Pinheiro faleceu em 25 de outubro de 1908, em Belo Horizonte, durante seu mandato como presidente de Minas Gerais. Após sua morte, Júlio Bueno Brandão assumiu o governo estadual. [Saiba Mais]
A industrialização ganhou força em Minas Gerais ao longo do século XX. Segundo o Governo de Minas, na década de 1950 a indústria ampliou sua participação na economia brasileira e, na década de 1970, a economia mineira passou por mudanças estruturais impulsionadas por um grande volume de investimentos. Esse processo contribuiu para o adensamento e a diversificação da estrutura industrial do estado, com a consolidação de novos setores.
Contagem teve papel importante nesse processo. A Cidade Industrial Juventino Dias foi planejada na década de 1940 e inaugurada em 1950, tornando-se um importante núcleo industrial. Na década de 1970, o município viveu uma nova fase de expansão industrial, com a implantação do Centro Industrial de Contagem (CINCO), por iniciativa do poder público municipal. O projeto previa a instalação de novas fábricas e a geração de empregos.
A industrialização mineira também passou por diversificação. Dados do BDMG, baseados em informações do IBGE, mostram a importância atual da indústria de transformação, que reúne atividades como alimentos, metalurgia, produtos químicos, veículos, máquinas e equipamentos.
Entre os setores industriais ligados aos recursos minerais, Minas Gerais também possui produção de silício metálico, utilizado em diferentes cadeias industriais, incluindo componentes eletrônicos, energia solar e indústria automotiva. [Contagem]
A Revolução de 1930 provocou mudanças na organização política do Brasil. Com a instalação do Governo Provisório de Getúlio Vargas, as Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional foram fechados, e interventores passaram a exercer o Poder Executivo e o Legislativo nos estados.
Minas Gerais, porém, constituiu uma exceção. Olegário Maciel, que havia sido eleito para governar o estado, permaneceu à frente do governo mineiro após a Revolução de 1930. Ele tomou posse em 7 de setembro de 1930 e governou até sua morte, em 5 de setembro de 1933.
Após a morte de Olegário Maciel, Gustavo Capanema assumiu interinamente o governo de Minas Gerais e, posteriormente, Getúlio Vargas nomeou Benedito Valadares como interventor federal. Valadares permaneceu como chefe do governo mineiro durante o período Vargas e, em 1935, foi eleito governador constitucional pela Assembleia Constituinte estadual. [História]
Em 10 de novembro de 1937, o presidente Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo e foi outorgada uma nova Constituição Federal. O novo regime determinou a dissolução das Assembleias Legislativas dos estados e das Câmaras Municipais. Em Minas Gerais, a Assembleia Legislativa foi fechada e suas atividades permaneceram suspensas durante o período do Estado Novo.
Durante esse período, Minas Gerais foi administrado por interventores federais. Documentos oficiais da Assembleia Legislativa registram, inclusive, a atuação de interventor federal no governo estadual em 1945 e 1947.
Com o fim do Estado Novo e a redemocratização do país, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais voltou a funcionar em 1947. Nesse ano, foi instalada uma Assembleia Constituinte, que promulgou a Constituição do Estado de Minas Gerais em 14 de julho. Em 28 de julho de 1947, foi instalada a nova Assembleia Legislativa.
Assim, o período entre 1937 e 1947 marcou uma interrupção de dez anos nas atividades do Legislativo mineiro, seguida pela retomada das instituições representativas no período democrático. [Constituição]
Em 1945, Getúlio Vargas deixou a Presidência da República, iniciando-se um novo período de reorganização democrática no país. Em Minas Gerais, a Constituição estadual de 29 de outubro de 1945 estabeleceu que o governador seria eleito por sufrágio direto e secreto e que a Assembleia Legislativa seria composta por representantes eleitos diretamente. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi reinstalada em 1947, após permanecer fechada por dez anos.
Na década de 1950, Minas Gerais passou por importantes transformações econômicas. Segundo o Governo de Minas Gerais, no início da década o setor industrial começou a crescer em ritmo elevado, impulsionado principalmente pelas indústrias extrativa mineral, de minerais não metálicos e pela metalurgia. O período também foi marcado por investimentos em infraestrutura e pela instalação de novas empresas industriais.
Em 1952, foi criada a Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), como parte dos esforços para ampliar a infraestrutura necessária ao desenvolvimento econômico e industrial do estado.
Os anos 1950 também foram importantes para as transformações demográficas e urbanas de Minas Gerais, acompanhando o processo mais amplo de urbanização e industrialização observado no Brasil. [Constituição]
O golpe de 1964 marcou o início do regime militar no Brasil, período que se estendeu até 1985. A partir de abril daquele ano, foram editados Atos Institucionais que alteraram o funcionamento das instituições políticas brasileiras. O Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964, por exemplo, estabeleceu mudanças na ordem constitucional e determinou a eleição indireta do presidente da República.
Em Minas Gerais, a Assembleia Legislativa registra que, em 1964, foram cassados os mandatos dos deputados Sinval Bambirra, Clodesmidt Riani e José Gomes Pimenta. Em 1966, o deputado Wilson Modesto Ribeiro também teve o mandato cassado, em consequência do Ato Institucional nº 2.
Durante o período, também ocorreram mudanças na organização política do Estado. Em 1965, uma alteração na Constituição mineira estabeleceu que a eleição para governador e vice-governador coincidiria com a eleição presidencial.
Em 1982, Tancredo Neves foi eleito governador de Minas Gerais pelo PMDB. A eleição marcou uma importante etapa do processo de abertura política e de redemocratização do país. [Saiba Mais]
No início da década de 1980, Minas Gerais participou do processo de abertura política e de redemocratização do Brasil. Em 1982, Tancredo Neves foi eleito governador de Minas Gerais e, a partir daquele período, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais passou a abrir espaço para movimentos ligados à redemocratização. Em 1983, parlamentares de oposição realizaram debates em defesa das eleições diretas para presidente da República.
Em 1984, o movimento Diretas Já mobilizou a sociedade brasileira em defesa da realização de eleições diretas para a Presidência da República. Minas Gerais participou desse movimento, que contou com atividades e manifestações no estado. A Emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para presidente, foi rejeitada pelo Congresso Nacional em abril de 1984.
Em janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral, marcando uma etapa importante do processo de transição para a democracia.
Anos depois, em 2013, foi criada a Comissão da Verdade em Minas Gerais (Covemg). A comissão teve como finalidade esclarecer violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988 e documentou casos relacionados ao período da ditadura militar em Minas Gerais. [PDF]
A Constituição do Estado de Minas Gerais foi promulgada em 21 de setembro de 1989, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, após os trabalhos da Assembleia Constituinte estadual. O texto constitucional estabelece a organização jurídica e político-administrativa do Estado.
Em seu artigo 1º, a Constituição determina que Minas Gerais integra, com autonomia político-administrativa, a República Federativa do Brasil. O mesmo artigo estabelece que o Estado se organiza e se rege por sua Constituição e pelas leis que adotar, observados os princípios da Constituição da República.
A Constituição Estadual também estabelece datas cívicas. Conforme o artigo 256, em sua redação atual, são consideradas data magna do Estado o dia 21 de abril, Dia de Tiradentes; Dia de Minas, o dia 16 de julho; e Dia dos Gerais, o dia 8 de dezembro. A redação atual desse artigo foi estabelecida pela Emenda à Constituição nº 89, de 7 de dezembro de 2011.
A Constituição de Minas Gerais continua em vigor e recebe alterações por meio de emendas constitucionais. A Assembleia Legislativa disponibiliza o texto atualizado, que reúne as alterações realizadas desde sua promulgação. [Constituição]
Nas últimas décadas, a economia de Minas Gerais passou por transformações e manteve uma estrutura diversificada, com participação da agropecuária, da indústria e dos serviços. Dados divulgados pelo Governo de Minas e pela Fundação João Pinheiro mostram a importância desses setores na formação da economia estadual.
Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais ultrapassou R$ 1,06 trilhão, com crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior. Naquele ano, os serviços responderam por R$ 593,9 bilhões, a indústria por R$ 264 bilhões e as atividades de agricultura, pecuária e produção florestal por R$ 70 bilhões.
A agropecuária também possui importante participação na economia mineira. Em 2024, o agronegócio alcançou PIB de R$ 235 bilhões, equivalente a 22,2% da economia estadual, segundo levantamento divulgado pelo Governo de Minas.
O IBGE, por meio do Sistema de Contas Regionais, apresenta o PIB das unidades da Federação e permite analisar a economia pela ótica da produção. Entre os grandes setores considerados estão Agropecuária, Indústria e Serviços, possibilitando acompanhar a participação de cada atividade na geração de riqueza. [IBGE]
Minas Gerais possui diversos bens culturais materiais e imateriais reconhecidos e protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entre os bens imateriais reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil estão o Ofício de Sineiro, o Toque dos Sinos em Minas Gerais e o Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas.
O Toque dos Sinos em Minas Gerais foi registrado pelo Iphan em 2009 no Livro de Registro das Formas de Expressão. A manifestação está relacionada aos toques produzidos pelos sinos das igrejas católicas para anunciar rituais religiosos, celebrações e outras mensagens de interesse das comunidades. O reconhecimento teve como referência municípios como São João del-Rei, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes.
O patrimônio cultural material também possui importante presença no estado. Ouro Preto e Diamantina estão entre os bens culturais mineiros reconhecidos como Patrimônio Mundial. Ouro Preto foi reconhecida pela Unesco em 1980, enquanto o Centro Histórico de Diamantina recebeu o reconhecimento internacional em 1999.
O Iphan atua na proteção desses bens por meio de instrumentos como o tombamento e o registro do patrimônio cultural.
Minas Gerais possui um importante patrimônio cultural, protegido por diferentes instrumentos de preservação. No âmbito federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) atua na proteção de bens culturais de importância nacional. O tombamento é um dos principais instrumentos utilizados para preservar edificações, conjuntos urbanos, paisagens, acervos e sítios arqueológicos.
O estado reúne diversos bens reconhecidos internacionalmente como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Entre eles estão o Centro Histórico de Ouro Preto e o Centro Histórico de Diamantina. Minas Gerais também possui outros bens com reconhecimento internacional, como o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e o Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte.
Ouro Preto foi reconhecida como Patrimônio Mundial Cultural em 1980, enquanto Diamantina recebeu o título em 1999. Os dois conjuntos históricos preservam importantes referências arquitetônicas e culturais relacionadas à formação histórica de Minas Gerais.
O Iphan também protege em Minas Gerais diversos bens materiais, incluindo conjuntos urbanos, edificações, acervos e sítios arqueológicos. O estado possui ainda numerosos sítios arqueológicos cadastrados, alguns relacionados às primeiras ocupações humanas do território.
Antiga Vila Rica, foi a principal cidade do Ciclo do Ouro e sede do governo mineiro. Seu centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO. [IBGE]
Inicialmente chamada de Ribeirão do Carmo, a cidade ganhou o nome de Mariana em 1745, em homenagem a D. Maria Ana de Áustria. Foi uma das principais cidades do Ciclo do Ouro.
Importante centro da exploração de diamantes no século XVIII. Seu centro histórico é Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Uma das principais cidades do Ciclo do Ouro, elevada à categoria de cidade em 1838.
Uma das cidades mais antigas de Minas Gerais, foi peça-chave para o ciclo do ouro. Elevada à categoria de cidade em 1838.
Antiga Vila do Príncipe, elevada à categoria de cidade em 1838. Cidade natal de João Pinheiro.
Dados do Censo Demográfico 2022 e informações territoriais do IBGE:
A Inconfidência Mineira ocorreu em 1789 e está relacionada à história de Vila Rica, atual Ouro Preto, cidade que se desenvolveu no contexto da mineração de ouro no século XVIII. O movimento faz parte da memória histórica preservada pelo conjunto urbano de Ouro Preto, reconhecido pelo Iphan e pela Unesco como Patrimônio Mundial Cultural.
A exploração do ouro teve papel fundamental na formação de núcleos urbanos de Minas Gerais durante o século XVIII. Ouro Preto surgiu a partir de arraiais mineradores e teve sua paisagem urbana profundamente marcada pela exploração aurífera. A mineração também esteve relacionada à formação de outras cidades históricas mineiras, que preservam referências do período colonial.
Minas Gerais possui um grande conjunto de bens culturais protegidos pelo Iphan. Entre eles estão Ouro Preto e Diamantina, cujos conjuntos urbanos possuem proteção federal. Ouro Preto foi o primeiro conjunto urbano tombado pelo Iphan, enquanto o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Diamantina foi tombado em âmbito federal em 1938.
No patrimônio imaterial, o Iphan reconhece o Ofício de Sineiro, o Toque dos Sinos em Minas Gerais e o Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas como Patrimônio Cultural do Brasil.
A história de Minas Gerais está profundamente ligada à descoberta e exploração do ouro no final do século XVII. A atividade mineradora provocou intenso povoamento da região e transformou Minas em um importante centro econômico da América Portuguesa. Os conflitos pela exploração das jazidas contribuíram para a formação da organização administrativa do território.
Em 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Em 1720, após novo processo de reorganização administrativa, Minas Gerais foi separada de São Paulo, passando a constituir uma capitania com governo próprio.
A exploração do ouro esteve relacionada ao crescimento de núcleos urbanos, à diversidade da sociedade colonial e também à utilização de mão de obra escravizada. Entre os conflitos do período está a Guerra dos Emboabas, ocorrida entre 1707 e 1709, envolvendo paulistas e outros grupos interessados na exploração das jazidas.
Em 1789, ocorreu a Inconfidência Mineira, movimento de contestação ao domínio português que teve entre seus participantes proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares.
Nos séculos XIX e XX, Minas Gerais passou por importantes transformações econômicas. A cafeicultura impulsionou o povoamento e a infraestrutura de transportes, enquanto posteriormente a siderurgia, a mineração e a industrialização ganharam maior importância na economia estadual.
Este conteúdo utiliza fontes institucionais, documentos públicos, legislação e bases de dados históricas. As fontes são apresentadas como referências de consulta e devem ser analisadas de acordo com o contexto específico de cada informação histórica.