A história completa da Copa em que o Brasil sediou o Mundial pela segunda vez, a Alemanha conquistou seu quarto título na final contra a Argentina, e a seleção brasileira viveu seu maior trauma esportivo: o 7 a 1 no Mineirão.
O Brasil como sede, o sonho do hexa e a desconfiança
O cenário mundial – Em 2014, o mundo vivia um momento de transformações. A Copa do Mundo voltava ao Brasil, 64 anos depois da edição de 1950, que ficou marcada pelo Maracanazo. O país, que vivia um momento de crescimento econômico e projeção internacional, se preparava para sediar o maior evento esportivo do planeta.
O sonho do hexa – A Seleção Brasileira, pentacampeã mundial (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), chegava à Copa com a missão de conquistar o hexacampeonato em casa. A expectativa era enorme: a torcida acreditava que o título seria conquistado no Maracanã, em 13 de julho de 2014. A música "Mostra Tua Força Brasil", do Itaú, embalou o sonho da nação, que se uniu em torno da seleção.[reference:0]
A preparação conturbada – O ciclo para a Copa começou com Mano Menezes no comando, que promoveu uma renovação no elenco, com a ascensão de jovens como Neymar, Oscar e Philippe Coutinho.[reference:1] Após a queda na Copa América de 2011, Mano foi demitido no final de 2012.[reference:2] Para seu lugar, a CBF resgatou o técnico Luiz Felipe Scolari, campeão em 2002, com Carlos Alberto Parreira como coordenador técnico.[reference:3] A dupla começou com o pé direito, vencendo a Copa das Confederações de 2013 com uma goleada sobre a Espanha por 3×0 na final, o que elevou ainda mais a confiança da torcida.
Os protestos – A Copa de 2014 foi marcada por manifestações populares. Os protestos de 2013, que começaram contra o aumento das passagens de ônibus, se espalharam pelo país e ganharam força com críticas aos gastos públicos com a Copa, em meio a demandas por melhores serviços públicos. Os protestos continuaram durante o torneio, com atos em diversas cidades-sede.[reference:4]
A volta do Mundial ao país do futebol
A escolha do Brasil – O Brasil foi escolhido como sede da Copa de 2014 em 2007, durante o Congresso da FIFA em Zurique. O país venceu a candidatura da Colômbia, que havia desistido, e se tornou o quinto país a sediar duas Copas do Mundo (a primeira foi em 1950).[reference:5] A escolha foi um reconhecimento da importância do Brasil no futebol mundial e da paixão do povo brasileiro pelo esporte.
Os estádios – Foram 12 estádios em 12 cidades que receberam os 64 jogos da Copa do Mundo de 2014:[reference:6]
A construção e reforma dos estádios foram marcadas por atrasos, custos excessivos e acidentes, gerando críticas e investigações.[reference:7]
A bola Brazuca – A bola oficial da Copa foi a Brazuca, cujo design de seis painéis foi inspirado nas fitas do Senhor do Bonfim, da Bahia, simbolizando a paixão e a alegria associadas ao futebol no Brasil.[reference:8]
O slogan "Juntos num só ritmo" – O slogan oficial do torneio foi "Juntos num só ritmo", inspirado na tradição de festas populares e na musicalidade do povo brasileiro.[reference:9]
32 equipes em busca da glória
Participantes – 32 seleções disputaram a Copa de 2014. O torneio contou com a participação de 13 europeias, 6 sul-americanas, 5 africanas, 4 asiáticas, 3 da CONCACAF e 1 da Oceania.
Estreantes – Dois países fizeram sua primeira participação em Copas: Bósnia e Herzegovina.
Ausências de peso – Três campeões mundiais foram eliminados na fase de grupos: Espanha (campeã em 2010), Itália (campeã em 2006) e Inglaterra (campeã em 1966). Foi a primeira vez que três campeões mundiais foram eliminados na primeira fase.[reference:10]
32 seleções, oito grupos e mata-mata
O regulamento – A Copa de 2014 manteve o formato adotado desde 1998: 32 seleções divididas em oito grupos de quatro equipes. As duas melhores de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório até a final.
Classificação – Os dois primeiros de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório (oitavas, quartas, semifinal, final).
Tecnologia da linha do gol – Esta foi a primeira Copa do Mundo a utilizar a tecnologia da linha do gol, para evitar lances duvidosos.[reference:11]
Os grupos – O sorteio foi realizado em 6 de dezembro de 2013, na Costa do Sauípe, na Bahia. O Brasil, como país-sede, ficou no Grupo A, com Croácia, México e Camarões.
Do sonho do hexa ao trauma do Mineiraço
O Brasil chegou à Copa com a confiança em alta, após vencer a Copa das Confederações de 2013. A campanha começou bem, com vitórias na primeira fase e nas oitavas, mas a seleção foi eliminada na semifinal pela Alemanha em um dos maiores vexames da história do futebol.
Brasil 3×1 Croácia – O jogo de abertura começou com um gol contra de Marcelo, o primeiro gol contra do Brasil na história das Copas.[reference:12] O Brasil virou com dois gols de Neymar (um de pênalti) e um de Oscar.[reference:13]
Brasil 0×0 México – Empate sem gols. O goleiro mexicano Guillermo Ochoa fez defesas espetaculares e evitou a vitória brasileira.
Brasil 4×1 Camarões – Neymar marcou dois gols e foi o destaque. O Brasil terminou em primeiro lugar no Grupo A.
Brasil 1×1 Chile – Jogo dramático. David Luiz marcou o gol brasileiro. Nos pênaltis, o goleiro Júlio César brilhou, defendendo duas cobranças, e o Brasil se classificou.[reference:14]
Brasil 2×1 Colômbia – Jogo duro. Thiago Silva abriu o placar e David Luiz fez um golaço de falta. James Rodríguez descontou de pênalti. Neymar sofreu uma lesão grave nas costas, após uma entrada de Zúñiga, e ficou de fora do resto da Copa.[reference:15]
Brasil 1×7 Alemanha – O "Mineiraço". O Brasil sofreu quatro gols em seis minutos no primeiro tempo.[reference:18] A Alemanha foi avassaladora, e o Brasil, sem Neymar e com Thiago Silva suspenso, desabou completamente.[reference:19]
Brasil 0×3 Holanda – O Brasil terminou a Copa em quarto lugar, com duas derrotas consecutivas por goleada.[reference:20]
Os craques que brilharam no Brasil
Manuel Neuer – O melhor goleiro da Copa (Golden Glove). Revolucionou a posição com seu estilo de jogo como "goleiro-líbero".
Miroslav Klose – O maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols. Marcou seu 16º gol justamente contra o Brasil, na semifinal.[reference:21]
Thomas Müller – O vice-artilheiro da Alemanha, com 5 gols. Foi fundamental na campanha.
Mario Götze – O herói da final. Marcou o gol do título contra a Argentina, aos 113 minutos da prorrogação.[reference:22]
Philipp Lahm – O capitão da Alemanha, que ergueu a taça no Maracanã.
Lionel Messi – Eleito o melhor jogador da Copa (Bola de Ouro), apesar de não ter brilhado nas fases finais.[reference:23]
Neymar – O destaque do Brasil na Copa, com 4 gols. Sua lesão nas quartas de final foi um golpe duro para a seleção.[reference:24]
James Rodríguez – O artilheiro da Copa (Chuteira de Ouro), com 6 gols.[reference:25] Seu gol contra o Uruguai foi eleito o melhor gol da Copa.
Alemanha e Argentina se encontram na decisão
A Alemanha passou pela primeira fase com 2 vitórias (Portugal e EUA) e 1 empate (Gana). Nas oitavas, venceu a Argélia por 2×1. Nas quartas, venceu a França por 1×0. Na semifinal, goleou o Brasil por 7×1.
A Argentina passou pela primeira fase com 3 vitórias (Bósnia, Irã e Nigéria). Nas oitavas, venceu a Suíça por 1×0. Nas quartas, venceu a Bélgica por 1×0. Na semifinal, venceu a Holanda nos pênaltis (4×2), após empate em 0×0.
13 de julho de 2014 – O tetracampeonato alemão
13 de julho de 2014 – Maracanã, Rio de Janeiro. Público de 74.738 espectadores.[reference:26] A final colocou frente a frente a Alemanha, em busca do tetracampeonato, e a Argentina, que sonhava com o tricampeonato.[reference:27]
O jogo – A final foi equilibrada e muito disputada. As duas equipes tiveram chances, mas o placar permaneceu 0×0 no tempo regulamentar. Lionel Messi perdeu uma chance clara no primeiro tempo, e Gonzalo Higuaín também desperdiçou uma oportunidade.
A prorrogação – Aos 113 minutos, Mario Götze (que havia entrado no lugar de Klose) recebeu um passe de André Schürrle, dominou no peito e chutou no canto esquerdo do goleiro Sergio Romero, fazendo o gol do título.[reference:28]
O título – A Alemanha venceu por 1×0 e conquistou o quarto título mundial de sua história (1954, 1974, 1990 e 2014). Foi o primeiro título da Alemanha após a reunificação.[reference:29]
A audiência – A final foi assistida por mais de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo.[reference:30]
A maior vergonha da história do futebol brasileiro
O contexto – Brasil e Alemanha se enfrentaram nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, no Mineirão, em Belo Horizonte.[reference:31] O Brasil estava sem seu principal jogador, Neymar (lesionado nas quartas de final), e sem o capitão Thiago Silva (suspenso). A expectativa era de um jogo equilibrado, já que ambas as equipes eram forças tradicionais.[reference:32]
O jogo – A Alemanha abriu o placar aos 11 minutos, com Thomas Müller. Aos 23 minutos, Miroslav Klose marcou o segundo (seu 16º gol em Copas, tornando-se o maior artilheiro da história). Aos 24 minutos, Toni Kroos fez o terceiro. Aos 26 minutos, Kroos marcou o quarto. Aos 29 minutos, Sami Khedira fez o quinto.[reference:33][reference:34]
Quatro gols em seis minutos – O Brasil sofreu quatro gols em apenas seis minutos (do 23º ao 29º minuto), um dos momentos mais traumáticos da história do futebol.[reference:35]
O segundo tempo – No segundo tempo, a Alemanha diminuiu o ritmo, mas ainda marcou mais dois gols com André Schürrle (aos 24 e aos 33 minutos). O Brasil descontou com Oscar aos 45 minutos, fechando o placar em 7×1.[reference:36]
O "Mineiraço" – A derrota por 7×1 foi a maior goleada sofrida pelo Brasil em uma Copa do Mundo e a maior derrota da história da Seleção. O jogo ficou conhecido como o "Mineiraço", em referência ao Maracanazo de 1950.[reference:37]
A Alemanha conquista o quarto título, o primeiro após a reunificação
O título inédito após a reunificação – A Alemanha conquistou seu quarto título mundial (1954, 1974, 1990 e 2014). Foi o primeiro título da Alemanha após a reunificação do país, em 1990.[reference:38]
O técnico Joachim Löw – Löw comandou a equipe com maestria, montando um time sólido, equilibrado e ofensivo. A Alemanha marcou 18 gols em 7 jogos e sofreu apenas 4.
O capitão Philipp Lahm – Lahm ergueu a taça no Maracanã, em uma das imagens mais emblemáticas da Copa.
O recorde de Klose – Miroslav Klose se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols, superando Ronaldo Fenômeno (15).[reference:39]
O recorde que superou Ronaldo
O recorde – O atacante alemão Miroslav Klose entrou para a história ao marcar seu 16º gol em Copas do Mundo, na semifinal contra o Brasil, superando o recorde de Ronaldo Fenômeno (15 gols).[reference:40]
O gol histórico – O gol de Klose aconteceu aos 23 minutos do primeiro tempo, quando ele empurrou a bola para o gol após rebote do goleiro Júlio César. Foi o gol que quebrou o recorde e consolidou Klose como o maior artilheiro da história das Copas.
A carreira de Klose – Klose disputou quatro Copas do Mundo (2002, 2006, 2010 e 2014), marcando gols em todas elas. Ele é um dos maiores artilheiros da história do futebol alemão e um dos jogadores mais respeitados do mundo.
O sonho do hexa que virou pesadelo
O sonho do hexa – O Brasil chegou à Copa de 2014 com a esperança de conquistar o hexacampeonato em casa. A torcida acreditava que a seleção de Felipão, que havia vencido a Copa das Confederações de 2013, era capaz de repetir o feito de 2002.
A lesão de Neymar – A lesão de Neymar nas quartas de final foi um golpe duro para a seleção. O camisa 10, que era o grande nome do time, ficou de fora da semifinal e da disputa do terceiro lugar.
O Mineiraço – A derrota por 7×1 para a Alemanha foi o maior trauma da história do futebol brasileiro. O país, que estava em êxtase com a Copa, mergulhou em um luto coletivo.
O legado do trauma – O Mineiraço marcou profundamente a identidade do futebol brasileiro. A seleção, que sempre foi sinônimo de alegria e talento, passou a carregar o peso do fracasso. O trauma de 2014 ainda ecoa nas gerações seguintes.[reference:41]
O tetracampeonato alemão
Campanha – A Alemanha venceu 6 jogos (Portugal, EUA, Argélia, França, Brasil e Argentina), empatou 1 (Gana) e perdeu 0. Foram 18 gols marcados e 4 sofridos.
Jogadores – O elenco tetracampeão contava com grandes nomes: Manuel Neuer, Philipp Lahm, Bastian Schweinsteiger, Thomas Müller, Miroslav Klose, Toni Kroos, Mario Götze, Mats Hummels, Mesut Özil, Sami Khedira.
Técnico – Joachim Löw comandou a equipe com maestria, tornando-se o primeiro técnico alemão a vencer uma Copa desde Franz Beckenbauer em 1990.
O quarto de quatro – O título de 2014 foi o quarto de quatro conquistas alemãs (1954, 1974, 1990 e 2014).
Números que contam a história
Destaques: A Copa de 2014 registrou o maior número de gols contra da história (12).[reference:45] A Alemanha teve o melhor ataque da Copa (18 gols). A Costa Rica teve a melhor defesa da fase de grupos (apenas 1 gol sofrido). O Brasil recebeu o prêmio Fair Play.
Melhor jogador: Lionel Messi (Argentina).
Melhor goleiro: Manuel Neuer (Alemanha).
Melhor jogador jovem: Paul Pogba (França).
Fair Play: Colômbia.
Fatos que você talvez não conheça
Como o tetra alemão, o Mineiraço e a Copa no Brasil marcaram a história
O tetracampeonato alemão – A Alemanha conquistou seu quarto título mundial, consolidando-se como uma das maiores potências do futebol mundial. O título, conquistado na América do Sul, quebrou um tabu histórico.[reference:50]
O Mineiraço e o trauma brasileiro – O 7 a 1 para a Alemanha foi o maior trauma da história do futebol brasileiro. A derrota, em casa, em uma semifinal de Copa, marcou profundamente o país e a seleção, que passou a carregar o peso do fracasso.[reference:51]
O recorde de Klose – Miroslav Klose se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols, um recorde que pode durar décadas.[reference:52]
A primeira Copa na América do Sul em 36 anos – A Copa de 2014 foi a primeira na América do Sul desde 1978 (Argentina) e a segunda no Brasil (a primeira foi em 1950).
O legado das obras – A Copa de 2014 deixou um legado de estádios modernos em todo o Brasil, mas também gerou críticas pelos custos excessivos e pelas obras inacabadas. Muitos estádios se tornaram "elefantes brancos", com pouca utilização após o torneio.[reference:53]