A história completa da Copa em que a Espanha conquistou seu primeiro título mundial com o tiki-taka, a Holanda jogou um futebol duro na final, o Brasil caiu nas quartas para a Holanda, e um polvo se tornou a sensação do torneio.
A primeira Copa na África, o Brasil de Dunga e a Espanha favorita
O cenário mundial – Em 2010, o mundo vivia um momento de transformações. A crise financeira global de 2008 ainda ecoava, e a África do Sul, país-sede, se preparava para receber a primeira Copa do Mundo em solo africano. O continente inteiro se uniu em torno do evento, que foi celebrado com a emblemática vuvuzela, o instrumento que se tornou a trilha sonora do torneio.
O Brasil de Dunga – O Brasil chegava à África do Sul com uma equipe pragmática e defensiva, comandada pelo técnico Dunga. A seleção havia vencido a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009, mas o estilo de jogo era criticado pela torcida e pela imprensa. A equipe era liderada por Lúcio (capitão) e contava com Kaká, Robinho e Luís Fabiano no ataque. Dunga deixou de fora jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Neymar (que tinha apenas 18 anos) e Marcelo, decisões polêmicas que geraram controvérsias.
A Espanha favorita – A Espanha chegava à Copa como a grande favorita, após vencer a Eurocopa de 2008 com um futebol encantador, o tiki-taka. A equipe, comandada por Vicente del Bosque, era uma das mais talentosas da história, com jogadores como Xavi, Iniesta, Villa, Puyol, Casillas e Xabi Alonso. O desafio era quebrar a "maldição" de nunca ter vencido uma Copa do Mundo.
A vuvuzela – O som constante das vuvuzelas, instrumentos de sopro tradicionais da África do Sul, se tornou a marca registrada da Copa de 2010. O barulho ensurdecedor nos estádios gerou polêmica e foi criticado por jogadores e torcedores, mas se tornou um símbolo do torneio.
A primeira Copa na África
A escolha da África do Sul – A África do Sul foi escolhida como sede da Copa de 2010 em 2004, durante o Congresso da FIFA em Zurique, vencendo a candidatura do Egito e do Marrocos. Foi a primeira vez que uma nação africana sediou uma Copa do Mundo, um marco histórico para o continente. Nelson Mandela, que havia sido libertado em 1990 e se tornado presidente em 1994, apoiou ativamente a candidatura sul-africana, que representava o fim do apartheid e a nova era de democracia no país.
Os estádios – Foram 10 estádios em 9 cidades que receberam os 64 jogos da Copa do Mundo de 2010:
O investimento total em infraestrutura foi de cerca de € 3,3 bilhões.
O mascote Zakumi – A Copa de 2010 teve como mascote Zakumi, um leopardo de cabelos verdes (as cores da bandeira sul-africana). O nome é uma combinação de "ZA" (código internacional da África do Sul) e "kumi" (palavra para "dez" em várias línguas africanas).
Nelson Mandela – O ex-presidente sul-africano, que completou 92 anos durante a Copa, fez uma aparição na cerimônia de encerramento, emocionando o mundo.
32 equipes em busca da glória
Participantes – 32 seleções disputaram a Copa de 2010. O torneio contou com a participação de 6 seleções africanas – o maior número da história – incluindo o país-sede, a África do Sul.
Estreantes – Três países fizeram sua primeira participação em Copas: Coreia do Norte (que voltou após 44 anos), Sérvia (como país independente) e Eslováquia.
Ausências de peso – O Uruguai estava de volta, mas a Itália, atual campeã, foi eliminada na primeira fase. A França, vice-campeã em 2006, também foi eliminada na primeira fase, em meio a um escândalo de rebelião interna.
32 seleções, oito grupos e mata-mata
O regulamento – A Copa de 2010 manteve o formato adotado desde 1998: 32 seleções divididas em oito grupos de quatro equipes. As duas melhores de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório até a final.
Classificação – Os dois primeiros de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório (oitavas, quartas, semifinal, final).
Nova regra – Pela primeira vez, a regra do "Gol de Ouro" foi completamente abolida. As partidas eliminatórias que terminassem empatadas no tempo regulamentar iriam para a prorrogação (dois tempos de 15 minutos) e, se necessário, para a disputa de pênaltis.
100% na primeira fase, mas eliminada pela Holanda nas quartas
O Brasil chegou à África do Sul com uma equipe pragmática, comandada pelo técnico Dunga. A campanha começou bem, com duas vitórias na primeira fase, mas a seleção foi eliminada nas quartas de final pela Holanda, em um jogo marcado por erros individuais.
Brasil 2×1 Coreia do Norte – Estreia com vitória. Gols de Maicon (um golaço de quase 0°) e Elano. A Coreia do Norte descontou no fim.
Brasil 3×1 Costa do Marfim – Vitória com dois gols de Luís Fabiano, que fez uma jogada antológica (dominando e passando por três marcadores) antes de marcar. Elano fez o terceiro. Kaká foi expulso no fim do jogo.
Brasil 0×0 Portugal – Jogo truncado, sem gols, com muitas faltas. O Brasil terminou em primeiro lugar no grupo.
Brasil 3×0 Chile – Goleada sobre o Chile. A defesa brasileira foi sólida, e o ataque funcionou bem.
Brasil 1×2 Holanda – O Brasil começou bem, com Robinho abrindo o placar aos 10 minutos. No segundo tempo, a Holanda virou: Felipe Melo marcou contra, e Wesley Sneijder fez o gol da virada de cabeça. O Brasil pressionou, mas não conseguiu empatar. Felipe Melo ainda foi expulso. A seleção foi eliminada nas quartas de final, mais uma vez frustrando a torcida.
Os craques que brilharam na África do Sul
Andrés Iniesta – O herói da final. Marcou o gol do título aos 116 minutos da prorrogação, garantindo o primeiro título mundial da Espanha. Foi eleito o melhor jogador da final.
David Villa – O artilheiro da Espanha e vice-artilheiro da Copa, com 5 gols. Foi fundamental para a conquista.
Iker Casillas – O capitão e goleiro. Fez defesas decisivas na final e foi eleito o melhor goleiro da Copa (Golden Glove).
Xavi – O cérebro do tiki-taka. Comandou o meio-campo espanhol com passes precisos e visão de jogo.
Carles Puyol – O zagueiro herói. Marcou o gol da vitória contra a Alemanha na semifinal.
Wesley Sneijder – O artilheiro da Holanda com 5 gols (vice-artilheiro da Copa). Foi o grande nome da Laranja Mecânica.
Arjen Robben – O ponta velocista. Perdeu dois gols cara a cara com Casillas na final, que teriam dado o título à Holanda.
Diego Forlán – O melhor jogador da Copa (Bola de Ouro). Foi o grande nome do Uruguai, que terminou em 4º lugar. Marcou 5 gols.
Thomas Müller – O artilheiro da Copa (Chuteira de Ouro) com 5 gols, além de 3 assistências. Foi eleito o melhor jogador jovem.
Miroslav Klose – Marcou 4 gols e chegou a 14 gols em Copas, empatando com Gerd Müller e Ronaldo? Na verdade, Klose chegou a 14 gols em 2010 (igualando Gerd Müller) e depois superaria Ronaldo em 2014.
Espanha e Holanda se encontram na decisão
A Espanha começou a Copa com uma derrota surpreendente para a Suíça (0×1) na estreia. Depois, venceu Honduras (2×0) e Chile (2×1), classificando-se em primeiro do Grupo H. Nas oitavas, venceu Portugal por 1×0 (gol de Villa). Nas quartas, venceu o Paraguai por 1×0 (gol de Villa, de pênalti). Na semifinal, venceu a Alemanha por 1×0 (gol de Puyol).
A Holanda passou invicta pela primeira fase, com três vitórias (Dinamarca, Japão e Camarões). Nas oitavas, venceu a Eslováquia por 2×1. Nas quartas, venceu o Brasil por 2×1. Na semifinal, venceu o Uruguai por 3×2, em um jogo emocionante.
11 de julho de 2010 – O primeiro título espanhol
11 de julho de 2010 – Soccer City, Joanesburgo. Público de 84.490 espectadores. A final colocou frente a frente a Espanha, em busca do primeiro título, e a Holanda, que sonhava com o primeiro também.
O primeiro tempo – A final foi muito disputada e violenta. O árbitro inglês Howard Webb mostrou 13 cartões amarelos (recorde em finais de Copa) e expulsou o holandês John Heitinga na prorrogação. O primeiro tempo terminou em 0×0, com a Espanha tendo mais posse de bola e a Holanda apostando em contra-ataques. Arjen Robben perdeu um gol cara a cara com Casillas.
O segundo tempo – O jogo continuou equilibrado. Robben perdeu outro gol cara a cara com Casillas. O placar permaneceu 0×0 até o fim do tempo regulamentar.
A prorrogação – Aos 109 minutos, Heitinga foi expulso após receber o segundo cartão amarelo. Aos 116 minutos, Andrés Iniesta recebeu um passe de Cesc Fàbregas e chutou no canto direito do goleiro Stekelenburg, fazendo o gol do título.
O título – A Espanha venceu por 1×0 e conquistou o primeiro título mundial de sua história. Foi a primeira vez que a Espanha chegou a uma final de Copa do Mundo.
O tiki-taka que conquistou o mundo
O título inédito – A Espanha conquistou seu primeiro título mundial em 2010. Foi a primeira vez que o país chegou a uma final de Copa (a melhor colocação anterior havia sido o 4º lugar em 1950).
O técnico Vicente del Bosque – Del Bosque comandou a equipe com maestria, mantendo o estilo de jogo tiki-taka implantado por Luis Aragonés na Eurocopa de 2008. A Espanha foi a primeira seleção a vencer uma Copa após perder na estreia (contra a Suíça).
O capitão Iker Casillas – Casillas ergueu a taça após fazer defesas decisivas na final, especialmente contra Robben. Foi eleito o melhor goleiro da Copa (Golden Glove).
A mão de Suárez e a tragédia de Gana
O contexto – Nas quartas de final, Gana enfrentou o Uruguai. Gana, que representava a África no torneio (a última seleção africana remanescente), estava a poucos segundos de se tornar a primeira seleção africana a chegar às semifinais de uma Copa do Mundo.
O lance – Aos 124 minutos da prorrogação, Luis Suárez defendeu com a mão (em cima da linha do gol) uma finalização de Gana, evitando o gol e a classificação africana. O árbitro marcou pênalti e expulsou Suárez.
O pênalti – Asamoah Gyan, que havia convertido todos os pênaltis na partida, cobrou. A bola acertou o travessão e saiu. Gana perdeu a chance histórica.
A reação – Suárez, que estava no túnel, comemorou a defesa como se tivesse feito um gol. Gana foi eliminada nos pênaltis (4×2). O lance gerou enorme polêmica: para uns, foi "malandragem" de Suárez; para outros, uma injustiça contra Gana.
O segundo tempo que desabou
O contexto – O Brasil chegou às quartas de final com 100% de aproveitamento na primeira fase (2 vitórias e 1 empate) e uma vitória tranquila sobre o Chile nas oitavas. A seleção era uma das favoritas ao título.
O jogo contra a Holanda – O Brasil enfrentou a Holanda em Porto Elizabeth. A seleção começou bem, com Robinho abrindo o placar aos 10 minutos. No segundo tempo, a Holanda virou: Felipe Melo marcou contra, e Wesley Sneijder fez o gol da virada de cabeça. O Brasil pressionou, mas não conseguiu empatar. Felipe Melo ainda foi expulso.
A frustração – A eliminação foi dolorosa, especialmente porque o Brasil havia começado bem o jogo. A seleção de Dunga, criticada por seu estilo pragmático, mais uma vez fracassou em uma Copa do Mundo.
O primeiro título de uma nação
Campanha – A Espanha venceu 6 jogos (Honduras, Chile, Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda) e perdeu 1 (Suíça). Foram 8 gols marcados e apenas 2 sofridos.
Jogadores – O elenco campeão contava com grandes nomes: Iker Casillas, Xavi, Andrés Iniesta, David Villa, Xabi Alonso, Sergio Ramos, Carles Puyol, Pedro, Fernando Torres, Cesc Fàbregas.
Técnico – Vicente del Bosque comandou a equipe com maestria, tornando-se o primeiro técnico espanhol a vencer uma Copa do Mundo.
O primeiro de três títulos consecutivos – O título de 2010, somado à Eurocopa de 2008 e 2012, deu à Espanha um triplete histórico: duas Eurocopas e uma Copa do Mundo consecutivas.
Números que contam a história
Destaques: A Espanha teve a melhor defesa da Copa (apenas 2 gols sofridos em 7 jogos). Portugal aplicou a maior goleada da Copa: 7×0 sobre a Coreia do Norte. A Alemanha teve o melhor ataque da fase de grupos (4 gols). A Nova Zelândia foi a única seleção invicta (3 empates).
Melhor jogador: Diego Forlán (Uruguai).
Melhor goleiro: Iker Casillas (Espanha).
Melhor jogador jovem: Thomas Müller (Alemanha).
Fair Play: Espanha.
Fatos que você talvez não conheça
Como o primeiro título espanhol, o tiki-taka e a primeira Copa na África marcaram a história
O primeiro título espanhol – A Espanha conquistou seu primeiro título mundial, consolidando uma das maiores gerações da história do futebol. O tiki-taka, o estilo de jogo baseado na posse de bola e nos passes curtos, encantou o mundo e se tornou uma referência para o futebol contemporâneo.
A primeira Copa na África – A Copa de 2010 foi um marco histórico para o continente africano. O torneio foi um sucesso de organização e público, e a África do Sul mostrou ao mundo sua capacidade de sediar grandes eventos.
O drama de Gana – A eliminação de Gana nas quartas de final, com o pênalti perdido por Asamoah Gyan e a "mão de Suárez", é lembrada como um dos momentos mais dramáticos da história das Copas. Gana, que representava a África, ficou a centímetros de fazer história.
O fiasco brasileiro – A eliminação do Brasil nas quartas de final, com o segundo tempo que desabou contra a Holanda, foi mais uma frustração para o futebol brasileiro. A seleção de Dunga, criticada por seu estilo pragmático, mais uma vez fracassou.
O polvo Paul – O polvo Paul se tornou um fenômeno mundial, prevendo corretamente os resultados da Alemanha e da final. Sua "previsão" se tornou uma das histórias mais curiosas da Copa.