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A história completa da Copa em que a Itália conquistou seu quarto título, Zidane se despediu do futebol com uma cabeçada histórica, e o Brasil, com seu "quadrado mágico", foi eliminado pela França de forma frustrante.
O Brasil favorito, a Alemanha anfitriã e o fim de uma era
O cenário mundial – Em 2006, o mundo vivia um momento de transformações. A globalização se acelerava, e o futebol, mais uma vez, servia como palco para rivalidades e paixões. A Copa do Mundo seria disputada na Alemanha, pela segunda vez na história do país (a primeira foi em 1974, como Alemanha Ocidental).
O Brasil favorito – O Brasil chegava à Alemanha como o grande favorito, após vencer a Copa de 2002. A seleção contava com um ataque dos sonhos, apelidado de "quadrado mágico": Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano[reference:0]. A expectativa era de que o Brasil conquistasse o hexacampeonato. Uma pesquisa divulgada em maio de 2006 apontou que 79,8% dos brasileiros acreditavam no título[reference:1].
A Alemanha anfitriã – A Alemanha, sob o comando do técnico Jürgen Klinsmann, chegava ao torneio com pouca confiança da torcida. Uma pesquisa indicou que apenas 5% dos alemães acreditavam no título, e 29,1% achavam que a seleção seria eliminada nas oitavas de final[reference:2]. No entanto, o time surpreenderia e terminaria em terceiro lugar.
O fim de uma era – A Copa de 2006 marcou a despedida de grandes craques que haviam dominado o futebol mundial na década anterior: Zinédine Zidane (França), Luís Figo (Portugal), Ronaldo (Brasil) e Andriy Shevchenko (Ucrânia) disputariam suas últimas Copas.
Nova regra – Pela primeira vez, o campeão defensor não teria vaga automática e precisaria disputar as eliminatórias[reference:3]. O Brasil, como campeão de 2002, teve que se classificar nas eliminatórias sul-americanas.
A segunda Copa na Alemanha, 32 anos depois
A escolha da Alemanha – A Alemanha foi escolhida como sede da Copa de 2006 em 2000, durante o Congresso da FIFA em Zurique. O país venceu a candidatura da África do Sul por apenas 12 votos a 11, em uma das votações mais acirradas da história. A Alemanha já havia sediado o torneio em 1974 (como Alemanha Ocidental)[reference:4].
As cidades-sede e estádios – Foram 12 estádios em 12 cidades que receberam os 64 jogos da Copa do Mundo de 2006[reference:5]:
Para o torneio, a maioria dos estádios passou por reformas, com um investimento total de cerca de € 1,4 bilhão[reference:10].
O mascote Goleo VI – A Copa de 2006 teve como mascote Goleo VI, um leão vestindo a camisa da seleção alemã. O mascote foi criticado por sua aparência e por ser desacompanhado de uma mascote feminina.
O slogan "Die Welt zu Gast bei Freunden" – O slogan oficial do torneio foi "Die Welt zu Gast bei Freunden" ("O mundo entre amigos"), refletindo a hospitalidade alemã[reference:11].
32 equipes em busca da glória
Participantes – 32 seleções disputaram a Copa de 2006. O torneio contou com a participação de 14 europeias, 5 africanas, 4 sul-americanas, 4 asiáticas, 3 da CONCACAF e 1 da Oceania.
Estreantes – Quatro países fizeram sua primeira participação em Copas: Angola, Costa do Marfim, Togo e Gana[reference:12]. Ucrânia também fez sua estreia como país independente.
Ausências de peso – A Holanda, que havia ficado de fora em 2002, retornou ao torneio. O Uruguai, bicampeão mundial, não se classificou. A Turquia, terceira colocada em 2002, também ficou de fora.
32 seleções, oito grupos e mata-mata
O regulamento – A Copa de 2006 manteve o formato adotado em 1998 e 2002: 32 seleções divididas em oito grupos de quatro equipes. As duas melhores de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório até a final.
Classificação – Os dois primeiros de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório (oitavas, quartas, semifinal, final).
Última Copa com a regra do "Gol de Ouro" – Esta foi a última Copa a utilizar a regra do "Gol de Ouro" (morte súbita). A partir de 2006, a regra foi abolida.
Os cabeças de chave – As seleções do Brasil, Inglaterra, Espanha, México, França, Argentina, Itália e Alemanha foram escolhidas como cabeças de chave[reference:13]. A Alemanha, como país-sede, ficou no Grupo A, e o Brasil, como último campeão, ficou no Grupo F[reference:14].
100% na primeira fase, mas eliminada pela França nas quartas
O Brasil chegou à Alemanha com uma equipe talentosa, comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira[reference:15]. A campanha foi perfeita na primeira fase, com três vitórias, mas a seleção foi eliminada nas quartas de final pela França, em uma atuação apagada[reference:16][reference:17].
Brasil 1×0 Croácia – Estreia com vitória magra, gol de Kaká. A seleção ficou abaixo das expectativas[reference:18].
Brasil 2×0 Austrália – Vitória com gols de Adriano e Fred.
Brasil 4×1 Japão – Goleada. Ronaldo marcou dois gols e se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 15 gols, superando Gerd Müller[reference:19].
Brasil 3×0 Gana – O Brasil venceu, mas o jogo foi marcado por gols impedidos e pela atuação burocrática da equipe[reference:20].
Brasil 0×1 França – O Brasil foi eliminado nas quartas de final pela França, em uma atuação completamente apagada[reference:21]. Zinédine Zidane comandou o meio-campo francês com maestria[reference:22]. O gol da vitória foi marcado por Thierry Henry, após cruzamento de Zidane[reference:23]. Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Adriano, o "quadrado mágico", não conseguiram render[reference:24].
Os craques que brilharam na Alemanha
Fabio Cannavaro – O capitão e melhor jogador da Copa (Bola de Ouro). Zagueiro impecável, liderou a defesa italiana, que sofreu apenas 2 gols em 7 jogos[reference:25].
Gianluigi Buffon – O melhor goleiro da Copa. Fez defesas decisivas e só sofreu gols em dois jogos: um contra a República Tcheca e o pênalti de Zidane na final[reference:26].
Andrea Pirlo – O cérebro da Itália. O meia do Milan comandou o meio-campo com passes precisos e visão de jogo.
Marco Materazzi – O herói improvável. Marcou o gol de empate na final contra a França e foi alvo da cabeçada de Zidane.
Fabio Grosso – O herói dos pênaltis. Marcou o pênalti decisivo na semifinal contra a Alemanha e converteu sua cobrança na final.
Zinédine Zidane – O gênio da Copa, mesmo com a expulsão na final. Foi eleito o melhor jogador da final e o terceiro melhor jogador do torneio[reference:27].
Thierry Henry – Marcou o gol da vitória sobre o Brasil nas quartas de final.
Miroslav Klose – O artilheiro da Copa com 5 gols (Chuteira de Ouro)[reference:28][reference:29].
Lukas Podolski – O melhor jogador jovem da Copa[reference:30].
Itália e França se reencontram na decisão
A Itália passou pela primeira fase com 2 vitórias (Gana e República Tcheca) e 1 empate (EUA). Nas oitavas, venceu a Austrália por 1×0, com um pênalti polêmico nos acréscimos. Nas quartas, venceu a Ucrânia por 3×0. Na semifinal, venceu a Alemanha por 2×0 na prorrogação, em um jogo emocionante em Dortmund.
A França passou pela primeira fase com 1 vitória, 2 empates. Nas oitavas, venceu a Espanha por 3×1. Nas quartas, venceu o Brasil por 1×0, com uma atuação de gala de Zidane. Na semifinal, venceu Portugal por 1×0, com um pênalti convertido por Zidane.
9 de julho de 2006 – O tetracampeonato italiano
9 de julho de 2006 – Olympiastadion, Berlim. Público de 69.000 espectadores. A final colocou frente a frente a Itália, em busca do tetracampeonato, e a França, que sonhava com o bicampeonato[reference:31].
O primeiro tempo – A França começou melhor. Aos 7 minutos, Zinédine Zidane abriu o placar de pênalti, com uma cavadinha sobre Buffon[reference:32]. Aos 19 minutos, Marco Materazzi empatou de cabeça após escanteio[reference:33]. O primeiro tempo terminou em 1×1.
O segundo tempo – O jogo foi equilibrado, mas nenhum gol foi marcado. O placar permaneceu 1×1 até o fim do tempo regulamentar.
A prorrogação e a cabeçada de Zidane – Aos 110 minutos, Zidane e Materazzi se desentenderam, e o francês deu uma cabeçada no peito do italiano. O árbitro argentino Horacio Elizondo, após consultar o quarto árbitro, expulsou Zidane com cartão vermelho[reference:34][reference:35]. Foi o último ato da carreira de Zidane.
Os pênaltis – A partida foi para os pênaltis. A Itália converteu todas as cinco cobranças, enquanto a França perdeu uma (David Trezeguet acertou o travessão). A Itália venceu por 5×3[reference:36].
O título – A Itália venceu por 5×3 nos pênaltis e conquistou o quarto título mundial de sua história, quebrando um jejum de 24 anos (o último havia sido em 1982).
O fim de uma era
O lance – Aos 110 minutos da final, Zinédine Zidane e Marco Materazzi se desentenderam. O francês encostou a cabeça no peito do italiano, que caiu no chão[reference:37]. O árbitro Horacio Elizondo não viu o lance, mas foi informado pelo quarto árbitro e expulsou Zidane[reference:38].
O motivo – Materazzi revelou que provocou Zidane, dizendo: "Preferia a sua irmã" em vez de sua camisa[reference:39]. Zidane, que sempre foi conhecido por seu temperamento explosivo, perdeu a cabeça.
O impacto – A expulsão de Zidane foi um dos momentos mais chocantes da história das Copas. O craque francês, que havia carregado a equipe até a final, se despediu do futebol com um cartão vermelho[reference:40].
A Itália quebra o jejum de 24 anos
O título inédito em 24 anos – A Itália conquistou seu quarto título mundial (1934, 1938, 1982 e 2006)[reference:41]. Foi o primeiro título da Itália desde 1982, quebrando um jejum de 24 anos.
O técnico Marcello Lippi – Lippi comandou a equipe com maestria, montando uma defesa sólida e um meio-campo criativo. A Itália sofreu apenas 2 gols em 7 jogos (um contra a República Tcheca e o pênalti de Zidane na final).
O capitão Fabio Cannavaro – Cannavaro foi eleito o melhor jogador da Copa (Bola de Ouro)[reference:42]. Sua liderança e suas atuações impecáveis foram fundamentais para o título.
O "quadrado mágico" que não encantou
A expectativa – O Brasil chegou à Alemanha como o grande favorito, com um ataque formado por Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano, apelidado de "quadrado mágico"[reference:43]. A seleção vinha de uma campanha perfeita nas eliminatórias e era a atual campeã mundial.
A realidade – O Brasil venceu os três jogos da primeira fase e as oitavas de final, mas as atuações foram burocráticas e abaixo das expectativas[reference:44]. O time não encantou e mostrou falta de entrosamento.
A eliminação – Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a França e foi completamente dominado[reference:45]. Zidane comandou o meio-campo francês com maestria, e o Brasil não conseguiu criar jogadas[reference:46]. A derrota por 1×0 foi justa e dolorosa.
A frustração – Ronaldo, que havia se tornado o maior artilheiro da história das Copas durante o torneio, teve uma atuação apagada. Ronaldinho Gaúcho, eleito o melhor jogador do mundo em 2004 e 2005, não marcou nenhum gol e foi duramente criticado[reference:47]. O "quadrado mágico" não funcionou[reference:48].
O tetracampeonato italiano
Campanha – A Itália venceu 5 jogos (Gana, República Tcheca, Austrália, Ucrânia e Alemanha), empatou 1 (EUA) e venceu nos pênaltis a final contra a França. Foram 12 gols marcados e apenas 2 sofridos.
Jogadores – O elenco tetracampeão contava com grandes nomes: Fabio Cannavaro, Gianluigi Buffon, Andrea Pirlo, Francesco Totti, Luca Toni, Marco Materazzi, Fabio Grosso, Alessandro Nesta, Gennaro Gattuso[reference:49].
Técnico – Marcello Lippi comandou a equipe com maestria, montando uma defesa sólida e um meio-campo criativo.
O quarto de quatro – O título de 2006 foi o quarto de quatro conquistas italianas (1934, 1938, 1982 e 2006).
Números que contam a história
Destaques: A Argentina aplicou a maior goleada da Copa: 6×0 sobre a Sérvia e Montenegro[reference:50]. A Suíça teve a melhor defesa da fase de grupos (nenhum gol sofrido)[reference:51]. A Itália teve a melhor defesa geral (apenas 2 gols sofridos). O Brasil recebeu o prêmio Fair Play[reference:52].
Melhor jogador: Fabio Cannavaro (Itália)[reference:53].
Melhor goleiro: Gianluigi Buffon (Itália)[reference:54].
Melhor jogador jovem: Lukas Podolski (Alemanha)[reference:55].
Fair Play: Brasil e Espanha[reference:56].
Fatos que você talvez não conheça
Como o tetra italiano, a cabeçada de Zidane e o fiasco brasileiro marcaram a história
O tetracampeonato italiano – A Itália conquistou seu quarto título mundial, quebrando um jejum de 24 anos. O título consolidou a Itália como uma das maiores potências do futebol mundial e deu ao país um motivo para celebrar, em meio ao escândalo do Calciopoli (que abalou o futebol italiano na época).
A cabeçada de Zidane – A expulsão de Zinédine Zidane na final é um dos momentos mais icônicos e polêmicos da história do futebol. O lance encerrou a carreira de um dos maiores jogadores de todos os tempos de forma dramática e inesperada[reference:64].
O fiasco brasileiro – A eliminação do Brasil nas quartas de final, com o "quadrado mágico" não funcionando, foi uma das maiores frustrações da história do futebol brasileiro. A seleção, que era a grande favorita, foi eliminada de forma precoce e decepcionante[reference:65].
A ascensão da Alemanha – A Alemanha, que chegou ao torneio com pouca confiança, surpreendeu e terminou em terceiro lugar. O torneio foi um sucesso de público e organização, e o país se mostrou um anfitrião exemplar.
O fim de uma era – A Copa de 2006 marcou a despedida de grandes craques que haviam dominado o futebol mundial na década anterior: Zidane, Ronaldo, Figo, Shevchenko, entre outros. Uma nova geração, liderada por Messi, Cristiano Ronaldo e Kaká, começava a surgir.