A história completa da Copa em que o Brasil conquistou o pentacampeonato, Ronaldo se redimiu do trauma de 1998 com 8 gols, e a Ásia sediou o Mundial pela primeira vez, com duas nações dividindo a honra.
O Brasil desacreditado, a Ásia como palco e a primeira Copa com duas sedes
O cenário mundial – Em 2002, o mundo vivia um momento de transformações. A Guerra Fria havia chegado ao fim, a globalização se acelerava e o futebol, mais uma vez, servia como palco para rivalidades e paixões. A Copa do Mundo seria disputada na Ásia pela primeira vez, um marco histórico para o continente.
O Brasil desacreditado – O Brasil chegava à Copa de 2002 longe de ser o favorito. A campanha nas eliminatórias foi a pior da história da seleção, com cinco derrotas e apenas nove vitórias em 18 jogos[reference:0]. O técnico Luiz Felipe Scolari assumiu o comando em 2001, após a demissão de Wanderley Luxemburgo, e teve que reconstruir a confiança da equipe. A seleção também sofreu com lesões: o capitão Emerson se lesionou durante um treino e foi substituído às pressas por Ricardinho[reference:1]. A França, atual campeã, e a Argentina eram as grandes favoritas[reference:2].
A primeira Copa com duas sedes – Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo foi sediada por dois países: Coreia do Sul e Japão[reference:3]. A decisão foi tomada pela FIFA em 1996, após uma disputa entre as duas nações, que acabaram aceitando a coorganização[reference:4].
A nova geração brasileira – Apesar da desconfiança, o Brasil contava com um ataque de dar inveja: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, os "3 Rs", que se tornariam a arma mais letal da Copa[reference:5]. O esquema tático era o 3-5-2, com Cafu como capitão[reference:6].
A primeira Copa com duas sedes
A escolha conjunta – A Coreia do Sul e o Japão foram escolhidos como co-sede da Copa de 2002 pela FIFA em 31 de maio de 1996[reference:7]. Inicialmente, Coreia do Sul, Japão e México apresentaram candidaturas separadas[reference:8]. A disputa entre os dois países asiáticos, que eram rivais políticos e esportivos, levou a FIFA a optar pela solução inédita da coorganização, evitando que um dos dois ficasse de fora[reference:9].
Os estádios – Foram 20 estádios em 20 cidades, divididos igualmente entre os dois países[reference:10]. Os principais palcos foram:
O mascote Ato, Kaz e Nik – A Copa de 2002 teve como mascotes três criaturas futuristas: Ato, Kaz e Nik, que representavam a tecnologia e a união entre os dois países-sede.
32 equipes em busca da glória
Participantes – 32 seleções disputaram a Copa de 2002. O torneio contou com a participação de 14 europeias, 5 africanas, 4 sul-americanas, 4 asiáticas, 3 da CONCACAF e 1 da Oceania.
Estreantes – Quatro países fizeram sua primeira participação em Copas: China, Equador, Senegal e Eslovênia[reference:13]. O Senegal, em sua estreia, fez uma campanha histórica, chegando às quartas de final[reference:14].
Ausências de peso – A Holanda ficou de fora, em mais uma frustração para a Laranja Mecânica. O Uruguai, bicampeão mundial, também não se classificou.
32 seleções, oito grupos e mata-mata
O regulamento – A Copa de 2002 manteve o formato adotado em 1998: 32 seleções divididas em oito grupos de quatro equipes[reference:16]. As duas melhores de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório até a final.
Classificação – Os dois primeiros de cada grupo avançaram para as oitavas de final. A partir daí, o torneio seguiu em sistema eliminatório (oitavas, quartas, semifinal, final).
Última Copa com a regra do "Gol de Ouro" – Esta foi a última Copa a utilizar a regra do "Gol de Ouro" (morte súbita)[reference:17]. A partir de 2006, a regra foi abolida.
100% de aproveitamento: 7 jogos, 7 vitórias, 18 gols marcados e apenas 4 sofridos
O Brasil chegou à Coreia do Sul e Japão com uma equipe talentosa, comandada pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o "Felipão". A campanha foi perfeita: sete jogos e sete vitórias[reference:18], com 18 gols marcados e apenas 4 sofridos[reference:19].
Brasil 2×1 Turquia – Estreia com vitória de virada. A Turquia abriu o placar com Hasan Şaş, mas Ronaldo empatou e Rivaldo virou de pênalti, em um lance polêmico[reference:20].
Brasil 4×0 China – Goleada com gols de Roberto Carlos (falta), Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo. O quarteto de "erres" (Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Roberto Carlos) mostrou sua força[reference:21].
Brasil 5×2 Costa Rica – Já classificado, o Brasil entrou com time misto, mas ainda assim goleou. Ronaldo marcou dois gols, Edmílson fez uma bicicleta antológica[reference:22].
Brasil 2×0 Bélgica – Jogo difícil contra uma Bélgica organizada. Rivaldo abriu o placar e Ronaldo fechou a vitória[reference:23].
Brasil 2×1 Inglaterra – O jogo mais emocionante da campanha. A Inglaterra abriu o placar com Michael Owen[reference:24]. Rivaldo empatou e Ronaldinho Gaúcho fez um gol de falta antológico (cobrando da intermediária, encobriu o goleiro Seaman)[reference:25]. Ronaldinho ainda foi expulso, mas o Brasil segurou a vitória.
Brasil 1×0 Turquia – Ronaldo marcou o único gol do jogo, com uma finalização de bico após jogada individual[reference:26]. O Brasil estava na final.
Os craques que brilharam na Coreia e no Japão
Ronaldo – O artilheiro da Copa com 8 gols, a maior marca desde Gerd Müller em 1970[reference:28]. O Fenômeno se redimiu do trauma de 1998 e foi o grande nome do pentacampeonato. Levou a Chuteira de Ouro e a Bola de Prata[reference:29].
Rivaldo – O vice-artilheiro do Brasil, com 5 gols[reference:30]. Foi fundamental nas quartas de final contra a Inglaterra.
Ronaldinho Gaúcho – O gênio da equipe. Marcou o gol antológico contra a Inglaterra e se tornou um dos grandes nomes do torneio.
Cafu – O capitão. Participou de sua terceira final consecutiva (1994, 1998 e 2002)[reference:31]. Ao levantar a taça, exibiu a frase "100% Jardim Irene" em homenagem às suas origens[reference:32].
Marcos – O "São Marcos". Goleiro do Palmeiras, foi o único jogador do futebol brasileiro a ser titular na final[reference:33].
Oliver Kahn – O melhor jogador da Copa (Bola de Ouro)[reference:34]. O goleiro alemão foi a grande estrela da Alemanha na competição, mas na final falhou no primeiro gol de Ronaldo[reference:35].
Miroslav Klose – O vice-artilheiro da Copa, com 5 gols[reference:36].
Hakan Şükür – Marcou o gol mais rápido da história das Copas: 10,8 segundos contra a Coreia do Sul na disputa do terceiro lugar[reference:37].
Brasil e Alemanha se encontram pela primeira vez
O Brasil passou invicto pela primeira fase (3 vitórias). Nas oitavas, venceu a Bélgica por 2×0. Nas quartas, venceu a Inglaterra por 2×1. Na semifinal, venceu a Turquia por 1×0.
A Alemanha passou pela primeira fase com 3 vitórias, incluindo uma goleada histórica de 8×0 sobre a Arábia Saudita[reference:38]. Nas oitavas, venceu o Paraguai por 1×0. Nas quartas, venceu os Estados Unidos por 1×0. Na semifinal, venceu a Coreia do Sul por 1×0, em um jogo polêmico. A Alemanha chegou à final com uma defesa sólida e Oliver Kahn como grande destaque.
30 de junho de 2002 – O pentacampeonato
30 de junho de 2002 – International Stadium, Yokohama, Japão. Público de 69.029 espectadores[reference:40]. A final colocou frente a frente o Brasil, em busca do pentacampeonato, e a Alemanha, que sonhava com o quarto título.
O primeiro tempo – A final foi muito equilibrada. A Alemanha teve boas chances, com destaque para uma cabeçada de Klose, mas Marcos fez uma defesa espetacular. O primeiro tempo terminou em 0×0.
O segundo tempo – O Brasil dominou a segunda etapa. Aos 22 minutos, Rivaldo chutou de fora da área. O goleiro Oliver Kahn espalmou a bola, e Ronaldo, atento, aproveitou o rebote para marcar o primeiro gol[reference:41]. Aos 34 minutos, Ronaldo recebeu a bola de Kléberson, invadiu a área e chutou colocado no canto esquerdo de Kahn, fazendo 2×0[reference:42].
O título – O Brasil venceu por 2×0 e conquistou o quinto título mundial de sua história, tornando-se a primeira seleção pentacampeã do mundo[reference:43].
A redenção de Ronaldo – Ronaldo, que havia passado pelo trauma de 1998, foi o herói da final[reference:44]. Seus dois gols garantiram o título e o consagraram como uma lenda do futebol.
O Brasil se torna a primeira seleção pentacampeã do mundo
O título que consagrou a hegemonia – O Brasil se tornou a primeira seleção pentacampeã mundial da história[reference:45]. Com os títulos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, o país confirmou sua superioridade no futebol mundial e se isolou como a seleção mais vencedora do planeta.
A campanha perfeita – O Brasil terminou a Copa com 7 vitórias em 7 jogos, um feito inédito para um campeão mundial[reference:46]. Marcou 18 gols e sofreu apenas 4[reference:47].
O reconhecimento mundial – O Brasil recebeu o prêmio Fair Play[reference:48]. Ronaldo foi o artilheiro (8 gols) e recebeu a Chuteira de Ouro e a Bola de Prata[reference:49].
Do trauma de 1998 ao pentacampeonato
O trauma de 1998 – Na final da Copa de 1998, Ronaldo teve uma convulsão na véspera da partida contra a França. O Fenômeno jogou, mas teve uma atuação apagada, e o Brasil perdeu por 3×0. O episódio marcou profundamente a carreira de Ronaldo.
A recuperação – Entre 1998 e 2002, Ronaldo passou por duas graves lesões no joelho que quase encerraram sua carreira[reference:51]. Muitos duvidavam que ele voltaria a ser o mesmo jogador. O corte de cabelo do "Cascão" se tornou um símbolo de sua superação[reference:52].
A Copa de 2002 – Ronaldo chegou à Copa desacreditado, mas foi o artilheiro do torneio com 8 gols[reference:53]. Ele marcou em todas as fases da Copa, com exceção das quartas de final contra a Inglaterra[reference:54]. Na final, marcou dois gols e garantiu o pentacampeonato[reference:55].
O reconhecimento – Ronaldo se tornou o primeiro brasileiro a ser artilheiro de uma Copa desde Ademir de Menezes em 1950[reference:56]. Ele também igualou o recorde de Pelé como o maior artilheiro do Brasil em Copas, com 12 gols[reference:57].
Senegal, Coreia do Sul e o fiasco das favoritas
O fiasco da França – A França, atual campeã, fez a pior campanha de uma seleção defendendo o título[reference:58]. A equipe foi eliminada na primeira fase, com apenas 1 ponto e nenhum gol marcado[reference:59]. A derrota na estreia para o Senegal por 1×0 foi um dos maiores choques da história das Copas[reference:60].
A eliminação da Argentina – A Argentina, uma das grandes favoritas[reference:61], também foi eliminada na primeira fase[reference:62]. A equipe de Marcelo Bielsa, que contava com Gabriel Batistuta, não conseguiu passar do Grupo F.
A campanha histórica da Coreia do Sul – A Coreia do Sul, co-sede, fez uma campanha histórica, chegando às semifinais[reference:63]. A equipe eliminou Itália (oitavas) e Espanha (quartas) em jogos polêmicos[reference:64]. Foi a primeira vez que uma seleção da Ásia chegou tão longe em uma Copa do Mundo[reference:65].
A estreia do Senegal – O Senegal, em sua primeira participação, chegou às quartas de final[reference:66]. A equipe africana venceu a França na estreia e eliminou a Suécia nas oitavas.
O pentacampeonato de uma dinastia
Campanha – O Brasil venceu 7 jogos (Turquia, China, Costa Rica, Bélgica, Inglaterra, Turquia e Alemanha). Foram 18 gols marcados e 4 sofridos[reference:67].
Jogadores – O elenco pentacampeão contava com grandes nomes: Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Cafu, Marcos, Lúcio, Edmílson, Roque Júnior, Gilberto Silva, Kléberson.
Técnico – Luiz Felipe Scolari comandou a equipe com maestria. Ele foi o arquiteto do pentacampeonato, montando uma defesa sólida e um ataque letal.
O quinto de cinco – O título de 2002 foi o quinto de cinco conquistas brasileiras (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). O Brasil se consolidou como a maior potência do futebol mundial.
Números que contam a história
Destaques: A Alemanha aplicou a terceira maior goleada da história das Copas: 8×0 sobre a Arábia Saudita[reference:68]. O Brasil teve a melhor defesa da fase de grupos (apenas 1 gol sofrido). A Alemanha teve a melhor defesa geral (apenas 3 gols sofridos).
Melhor jogador: Oliver Kahn (Alemanha)[reference:69].
Melhor jogador jovem: Landon Donovan (EUA)[reference:70].
Melhor goleiro: Oliver Kahn (Alemanha)[reference:71].
Fair Play: Bélgica[reference:72].
Fatos que você talvez não conheça
Como o pentacampeonato e a primeira Copa na Ásia marcaram a história
O pentacampeonato brasileiro – O Brasil conquistou seu quinto título mundial[reference:85], consolidando-se como a maior potência do futebol mundial. O título quebrou o jejum de 8 anos (desde 1994) e devolveu o orgulho ao povo brasileiro.
A redenção de Ronaldo – Ronaldo se consagrou como um dos maiores jogadores da história do futebol. Sua superação, após lesões e traumas, o tornou um símbolo de resiliência.
A primeira Copa na Ásia – A Copa de 2002 foi um marco para o futebol asiático. A Coreia do Sul, com sua campanha histórica, mostrou que a Ásia podia competir com as maiores potências do futebol mundial.
As surpresas – O fiasco da França e da Argentina, a campanha da Coreia do Sul e a estreia do Senegal tornaram a Copa de 2002 imprevisível e emocionante.
O início de uma nova era – A Copa de 2002 foi a última a utilizar a regra do Gol de Ouro e a última em que o campeão defensor se classificou automaticamente[reference:86]. A partir de 2006, novas regras foram adotadas.