A história completa da Copa em que o Brasil conquistou o tricampeonato mundial, garantiu a posse definitiva da Taça Jules Rimet e encantou o planeta com o melhor futebol de todos os tempos.
A Guerra Fria, o Brasil da ditadura militar e a busca pelo tri
O cenário mundial – Em 1970, o mundo vivia sob a tensão da Guerra Fria. A Guerra do Vietnã estava em seu auge, e os Estados Unidos e a União Soviética disputavam influência em todos os continentes. O futebol, mais uma vez, servia como palco para rivalidades políticas e culturais.
O Brasil da ditadura militar – O Brasil vivia sob o regime militar instaurado em 1964. O presidente Emílio Garrastazu Médici governava o país com mão de ferro. O regime via no futebol uma ferramenta de propaganda para unir a nação e desviar a atenção das crises políticas e econômicas. O título de 1970 seria usado como símbolo do "Brasil Grande" e do "milagre econômico".[reference:0]
A busca pelo tricampeonato – O Brasil havia conquistado o título em 1958 e 1962, mas em 1966 foi eliminado na fase de grupos. A seleção chegava ao México com a missão de se tornar a primeira tricampeã mundial e garantir a posse definitiva da Taça Jules Rimet, que seria entregue permanentemente ao primeiro país a vencer três Copas.[reference:1]
O México como sede – Esta foi a primeira Copa do Mundo realizada fora da Europa e da América do Sul. O México, que já havia sediado as Olimpíadas de 1968, foi escolhido como palco do torneio.[reference:2]
A primeira Copa fora da Europa e da América do Sul
A escolha do México – Argentina, Austrália, Colômbia, Japão, México e Peru foram os países cotados para sediar a Copa do Mundo de 1970. A decisão definitiva foi tomada durante as Olimpíadas de Tóquio, em 1964. A Cidade do México ter sediado os Jogos de 1968 pesou a favor, pois o país já teria a estrutura necessária para receber o torneio.[reference:3]
As cidades-sede e estádios – Foram cinco cidades e cinco estádios que receberam os 32 jogos da Copa do Mundo de 1970[reference:4]:
A altitude como desafio – A altitude foi quase um empecilho para a escolha do México. As cidades-sede estavam entre 2.600 e 2.700 metros acima do nível do mar, o que exigiu preparação física especial das seleções.[reference:10]
16 equipes em busca da glória
Participantes – 16 seleções disputaram a Copa de 1970. Foram 9 europeias, 3 sul-americanas, 2 da América do Norte, 1 da Ásia e 1 da África (a primeira participação de um país africano).[reference:12]
Estreantes – El Salvador, Israel e Marrocos fizeram sua primeira participação em Copas. Marrocos foi o primeiro país africano a se classificar para uma Copa desde o Egito em 1934.[reference:13]
Ausências de peso – A França, terceira colocada em 1958, não se classificou. A Espanha e a Argentina também ficaram de fora. A Coreia do Norte, que havia eliminado a Itália em 1966, não se classificou.
Inovações que marcaram a história
O regulamento – A Copa de 1970 manteve o formato de fase de grupos seguida por mata-mata. As 16 seleções foram divididas em quatro grupos com quatro equipes cada, que se enfrentaram em turno único.[reference:15]
Classificação – Os dois primeiros colocados de cada grupo avançaram para as quartas de final. A partir daí, o torneio passou a ser de eliminação direta (quartas, semifinal, disputa de terceiro lugar e final).[reference:16]
Novidades históricas – Esta Copa foi a primeira a ser televisionada em cores[reference:17]. Também foi a primeira a permitir substituições (duas por time)[reference:18] e a primeira a utilizar cartões amarelo e vermelho[reference:19]. O critério de desempate na fase de grupos passou a ser o saldo de gols.[reference:20]
Campanha perfeita: 6 jogos, 6 vitórias, 19 gols marcados e apenas 7 sofridos
O Brasil chegou ao México com uma equipe talentosa, comandada pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, que assumiu o comando apenas três meses antes do torneio[reference:22]. A campanha foi perfeita: seis jogos e seis vitórias, com 19 gols marcados e apenas 7 sofridos[reference:23][reference:24]. Até hoje, a Seleção de 1970 é a única campeã mundial a ganhar todas as partidas das Eliminatórias e da Copa[reference:25].
Brasil 4×1 Tchecoslováquia – Estreia com goleada. Os europeus saíram na frente, mas a Seleção virou com gols de Rivellino, Pelé e Jairzinho (2)[reference:29]. O jogo ficou marcado pelo chute do meio-campo de Pelé que encobriu o goleiro e, por pouco, não virou um gol antológico.[reference:30]
Brasil 1×0 Inglaterra – Duelo equilibrado entre os dois últimos campeões do mundo. A Seleção venceu com gol de Jairzinho e se isolou na liderança do grupo[reference:31]. A partida ficou marcada pela defesa espetacular de Gordon Banks em uma cabeçada de Pelé, considerada uma das maiores defesas da história das Copas.
Brasil 3×2 Romênia – Jogo dramático. Pelé marcou dois gols e Jairzinho completou o placar, garantindo 100% de aproveitamento na fase de grupos.[reference:32]
Brasil 4×2 Peru – Jogo de ataque contra ataque. O Brasil foi superior e venceu com gols de Rivellino, Tostão (2) e Jairzinho.[reference:34]
Brasil 3×1 Uruguai – Jogo duro contra o bicampeão mundial (1930 e 1950). O Brasil venceu com gols de Clodoaldo, Jairzinho e Rivellino.[reference:36] O jogo ficou marcado pelo drible de corpo de Pelé sobre o goleiro uruguaio Mazurkiewicz, um dos lances mais icônicos da história.[reference:37]
Os craques que encantaram o mundo em 1970
Pelé – O Rei do Futebol. Em sua última Copa, foi o grande nome da seleção. Marcou 4 gols e deu 6 assistências[reference:40]. Na final, abriu o placar e deu o passe para o gol antológico de Carlos Alberto[reference:41].
Jairzinho – O "Furacão da Copa". Marcou 7 gols em 6 jogos, tornando-se o primeiro jogador a marcar em todos os jogos de uma Copa.[reference:42]
Tostão – O articulador. Jogou como um "falso 9", abrindo espaços para os companheiros. Marcou gols importantes contra o Peru.[reference:43]
Rivellino – O "Patada Atômica". Seu chute potente e seus dribles desconcertantes foram fundamentais. Marcou gols contra a Tchecoslováquia e o Peru.[reference:44]
Gérson – O "Canhotinha de Ouro". Era o cérebro da equipe, com passes precisos e visão de jogo. Marcou o segundo gol da final.[reference:45][reference:46]
Carlos Alberto – O capitão. Marcou o gol mais bonito da história das Copas na final, fechando a goleada por 4×1.[reference:47]
Gerd Müller – O artilheiro da Copa com 10 gols.[reference:48]
Brasil e Itália se encontram na decisão
O Brasil passou invicto pela fase de grupos (3 vitórias). Nas quartas, venceu o Peru por 4×2. Na semifinal, venceu o Uruguai por 3×1.
A Itália fez uma campanha sólida. Ficou em primeiro no Grupo 2, com 1 vitória e 2 empates[reference:49]. Nas quartas, venceu o México por 4×1[reference:50]. Na semifinal, venceu a Alemanha Ocidental por 4×3 na prorrogação, em uma das partidas mais emocionantes da história das Copas (conhecida como o "Jogo do Século").[reference:51]
21 de junho de 1970 – O tricampeonato e a taça eterna
21 de junho de 1970 – Estádio Azteca, Cidade do México. Público de 107.412 espectadores[reference:53]. A final colocou frente a frente o Brasil, em busca do tri, e a Itália, que sonhava com o terceiro título.
O primeiro tempo – O Brasil começou melhor. Aos 18 minutos, Pelé abriu o placar com uma cabeçada após cruzamento de Rivellino[reference:54][reference:55]. A Itália empatou aos 37 minutos com Roberto Boninsegna, aproveitando erro na saída de bola do Brasil[reference:56]. O primeiro tempo terminou em 1×1.
A virada brasileira – No segundo tempo, o Brasil dominou. Aos 21 minutos, Gérson acertou um chute potente de fora da área e recolocou o Brasil em vantagem[reference:57]. Aos 34 minutos, Gérson levantou a bola para a área em cobrança de falta e serviu Pelé, que rolou para Jairzinho marcar o terceiro[reference:58].
O gol antológico – Aos 44 minutos, em uma jogada de pé em pé que envolveu Clodoaldo, Rivellino, Jairzinho e Pelé, o camisa 10 tocou para Carlos Alberto, que chegou como um foguete e bateu cruzado, fechando o placar em 4×1[reference:59][reference:60]. Este gol é considerado um dos mais bonitos da história das Copas.
O título – O Brasil venceu por 4×1 e conquistou o tricampeonato mundial. O capitão Carlos Alberto ergueu a Taça Jules Rimet, que ficaria definitivamente com o Brasil. Pelé, aos 29 anos, se tornava o único jogador tricampeão do mundo.[reference:62]
A imagem eterna – Ao apito final, Pelé foi erguido nos ombros pelos torcedores mexicanos, em uma imagem que entrou para a história como a consagração máxima do Rei do Futebol.[reference:63]
O Brasil se torna a primeira seleção tricampeã do mundo
O título que consagrou a hegemonia – O Brasil se tornou a primeira seleção tricampeã mundial da história[reference:64]. Com os títulos de 1958, 1962 e 1970, o país confirmou sua superioridade no futebol mundial. Nenhum outro país havia conquistado três títulos até então.
A campanha perfeita – A Seleção de 1970 é a única campeã mundial a vencer todas as partidas das Eliminatórias e da Copa[reference:65]. Foram 6 jogos, 6 vitórias, 19 gols marcados e apenas 7 sofridos[reference:66].
O reconhecimento mundial – A equipe brasileira de 1970 é considerada por muitos como a melhor seleção de todos os tempos[reference:67][reference:68]. A revista World Soccer a elegeu a melhor equipe de futebol da história.[reference:69]
A taça que ficou para sempre no Brasil
A regra da FIFA – Desde 1930, a FIFA determinou que a Taça Jules Rimet seria entregue em definitivo ao primeiro país que conquistasse três títulos mundiais. O Brasil, com os títulos de 1958, 1962 e 1970, cumpriu a condição.[reference:71][reference:72]
A conquista definitiva – Com a vitória sobre a Itália em 21 de junho de 1970, o Brasil garantiu a posse permanente da Taça Jules Rimet. A taça ficou no país até 1983, quando foi roubada da sede da CBF no Rio de Janeiro e nunca mais foi recuperada (acredita-se que tenha sido derretida).[reference:73]
O significado – A posse definitiva da taça foi um marco histórico para o futebol brasileiro. O Brasil se tornou o único país a conquistar a taça em definitivo, pois a FIFA criou um novo troféu (a atual Taça da FIFA) a partir de 1974.[reference:74]
O Rei do Futebol em sua despedida das Copas
A última Copa do Rei – Em 1970, Pelé disputou sua quarta e última Copa do Mundo. Ele havia participado de 1958 (campeão), 1962 (campeão, mas lesionado) e 1966 (eliminação na fase de grupos).[reference:75]
O auge técnico – Aos 29 anos, Pelé estava no auge de sua maturidade técnica. Ele não era mais o garoto de 17 anos de 1958, mas um jogador completo, com visão de jogo, passes precisos e uma inteligência tática ímpar.[reference:76]
Números da Copa – Pelé marcou 4 gols e deu 6 assistências na campanha do título[reference:77]. Na final, ele abriu o placar e deu o passe para o gol antológico de Carlos Alberto, que fechou a goleada por 4×1.[reference:78]
A imagem eterna – Ao apito final, Pelé foi erguido nos ombros pelos torcedores mexicanos, em uma cena que se tornou um dos símbolos mais icônicos da história do futebol.[reference:79]
O único tricampeão – Com o título de 1970, Pelé se tornou o único jogador da história a conquistar três Copas do Mundo (1958, 1962 e 1970).[reference:80]
O terceiro título de uma dinastia
Campanha – O Brasil venceu 6 jogos (Tchecoslováquia, Inglaterra, Romênia, Peru, Uruguai e Itália). Foram 19 gols marcados e 7 sofridos[reference:81].
Jogadores – O elenco tricampeão contava com grandes nomes: Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino, Gérson, Carlos Alberto, Clodoaldo, Everaldo, Brito, Piazza e Félix.[reference:82]
Técnico – Mário Jorge Lobo Zagallo comandou a equipe com maestria. Ele conseguiu encaixar cinco "camisas 10" (Pelé, Gérson, Rivellino, Tostão e Jairzinho) em um 4-3-3 que se tornou lendário.[reference:83][reference:84]
O terceiro de cinco – O título de 1970 foi o terceiro de cinco conquistas brasileiras (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). O Brasil se consolidou como a maior potência do futebol mundial.
Números que contam a história
Destaques: O Brasil teve o melhor ataque da fase de grupos (9 gols) e a melhor defesa (2 gols sofridos). A Alemanha Ocidental teve o melhor ataque geral, com 10 gols na fase de grupos.[reference:85]
Melhor jogador: Pelé foi eleito o melhor jogador da Copa.[reference:86]
Melhor jogador jovem: Teofilo Cubillas, do Peru.[reference:87]
Fatos que você talvez não conheça
Como o tricampeonato consagrou o Brasil como a maior potência do futebol mundial
A consolidação do futebol-arte – O Brasil de 1970 é considerado por muitos a maior seleção de todos os tempos. Seu futebol-arte, com passes precisos, dribles desconcertantes e gols antológicos, encantou o mundo e inspirou gerações.[reference:96]
A posse definitiva da taça – O Brasil se tornou o único país a conquistar a Taça Jules Rimet em definitivo. A taça ficou no país até ser roubada em 1983.[reference:97]
A consagração de Pelé – Pelé se consolidou como o maior jogador de futebol de todos os tempos. Sua atuação na Copa de 1970, com 4 gols e 6 assistências, foi a coroação de uma carreira lendária.[reference:98]
O início de uma hegemonia – O título de 1970 foi o terceiro de cinco conquistas brasileiras. O Brasil se tornou a maior potência do futebol mundial, com 5 títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002).
O impacto no Brasil – O tricampeonato uniu o país em um momento de ditadura militar. O regime usou o título como propaganda política do "Brasil Grande" e do "milagre econômico".[reference:99]
A evolução do futebol – A Copa de 1970 introduziu inovações que se tornaram padrão no futebol mundial: substituições, cartões amarelo e vermelho, e transmissão em cores.[reference:100][reference:101][reference:102]