A história completa da Copa em que o Brasil apresentou Pelé ao mundo, encantou o planeta com seu futebol-arte e conquistou o primeiro dos cinco títulos mundiais.
O Brasil de Juscelino, a Bossa Nova e a busca pelo título
O cenário mundial – Em 1958, o mundo vivia sob a sombra da Guerra Fria. A União Soviética e os Estados Unidos disputavam a hegemonia global. A Europa se recuperava lentamente da Segunda Guerra Mundial, e o futebol se consolidava como o esporte mais popular do planeta.
O Brasil de Juscelino Kubitschek – O país vivia um momento de otimismo e desenvolvimento. O governo de Juscelino Kubitschek prometia "avançar 50 anos em cinco" com seu Plano de Metas. A construção de Brasília, a nova capital, simbolizava a modernização do país. Na música, a Bossa Nova surgia com João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, levando a cultura brasileira ao mundo.[reference:0]
A busca pelo primeiro título – O Brasil havia sofrido o trauma do Maracanazo em 1950 e a eliminação para a Hungria na "Batalha de Berna" em 1954[reference:1]. A seleção chegava à Suécia com a missão de finalmente conquistar o título mundial que tanto perseguia. A torcida e a imprensa acreditavam que o time de 1958 tinha potencial para quebrar o jejum.
A morte de Jules Rimet – Esta foi a primeira Copa do Mundo sem a presença de Jules Rimet, o criador do torneio, que faleceu em 1956[reference:2]. A taça que levava seu nome continuava sendo o sonho de todas as nações.
A escolha nórdica e a infraestrutura impecável
A escolha da Suécia – A Suécia foi escolhida como sede em 1948, durante o Congresso da FIFA em Londres, com 10 anos de antecedência. A confirmação oficial ocorreu no Rio de Janeiro em 1950[reference:3][reference:4]. A opção pelo país escandinavo se deu por sua neutralidade na guerra, infraestrutura desenvolvida e capacidade de sediar um evento de grande porte.
Os estádios – Doze estádios suecos foram utilizados para o Mundial. Três foram construídos especialmente para a competição (Tunavallen, Ulevi e Malmö Stadium) e dois foram ampliados (Rasunda e Idrottsparken)[reference:5]. As cidades-sede foram: Borås, Eskilstuna, Estocolmo, Gotemburgo, Halmstad, Helsingborg, Malmö, Norrköping, Örebro, Sandviken, Uddevalla e Västerås[reference:6]. O estádio Råsunda, em Solna (Estocolmo), sediou a final[reference:7].
A organização – A Suécia, conhecida por sua eficiência, organizou um torneio exemplar. A logística foi elogiada, e a infraestrutura impecável facilitou o deslocamento das seleções e da imprensa[reference:8].
16 equipes em busca da glória
Participantes – 16 seleções disputaram a Copa de 1958. Do total, 12 eram europeias e 4 americanas (Brasil, Argentina, Paraguai e México)[reference:9]. Os participantes foram:
Estreantes – Três seleções fizeram sua estreia em Copas: União Soviética, Irlanda do Norte e País de Gales[reference:10].
Ausências de peso – A Copa de 1958 foi a única com a presença de todas as seleções do Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte)[reference:11]. Grandes potências ficaram pelo caminho nas eliminatórias: Uruguai (bicampeão mundial), Itália (campeã em 1934 e 1938), Espanha e Holanda não se classificaram[reference:12][reference:13].
Fase de grupos e mata-mata
O regulamento – A Copa de 1958 retomou o formato com fase de grupos seguida por mata-mata. As 16 seleções foram divididas em quatro grupos com quatro equipes cada, que se enfrentaram em turno único[reference:15].
Classificação – Os dois primeiros colocados de cada grupo avançaram para as quartas de final[reference:16]. A partir daí, o torneio passou a ser de eliminação direta (quartas, semifinal e final).
O sorteio – Pela primeira vez, o sorteio foi dirigido por regiões geográficas. Cada grupo tinha um país sul-americano, um dos britânicos, um do Leste Europeu e um da Europa Ocidental[reference:17].
Uma campanha arrasadora: 6 jogos, 16 gols marcados e apenas 4 sofridos[reference:19]
O Brasil chegou à Suécia com uma equipe talentosa, comandada pelo técnico Vicente Feola[reference:20]. A campanha foi brilhante, com vitórias convincentes e um futebol que encantou o mundo.
Brasil 3×0 Áustria – Estreia com goleada. Mazzola fez dois gols e Nílton Santos, o veterano, marcou o terceiro[reference:25].
Brasil 0×0 Inglaterra – O primeiro empate sem gols da história das Copas[reference:26][reference:27]. O jogo foi truncado, e o Brasil não conseguiu furar a defesa inglesa.
Brasil 2×0 União Soviética – Neste jogo, Pelé e Garrincha entraram como titulares pela primeira vez[reference:28][reference:29]. A União Soviética era favorita, mas o Brasil venceu com dois gols de Vavá[reference:30]. Nos primeiros 3 minutos, o Brasil já havia chutado duas bolas na trave, em jogadas de Garrincha[reference:31].
Brasil 1×0 País de Gales – O primeiro gol de Pelé em Copas. Aos 17 anos e 239 dias, ele se tornou o mais jovem jogador a marcar um gol em uma Copa do Mundo[reference:33]. O gol saiu no segundo tempo e garantiu a classificação[reference:34].
Brasil 5×2 França – Pelé fez três gols (hat-trick) e se tornou o mais jovem a marcar três gols em uma partida de Copa. A França tinha o artilheiro Just Fontaine, mas o Brasil foi avassalador[reference:36][reference:37]. O mundo viu o nascimento do Rei do Futebol.
Os craques que encantaram o mundo em 1958
Pelé – O Rei do Futebol. Aos 17 anos, foi o mais jovem campeão do mundo da história. Marcou 6 gols na Copa (3 contra a França, 1 contra o País de Gales, 2 na final)[reference:38]. Sua genialidade encantou o planeta.
Garrincha – O "Anjo de Pernas Tortas". Seus dribles desconcertantes e sua ginga única mudaram o rumo da Copa. Foi titular a partir do terceiro jogo e se tornou peça fundamental[reference:39].
Didi – O melhor jogador da Copa[reference:40]. Meia-campista elegante, era o cérebro da equipe. Conhecido como "Mr. Football"[reference:41].
Bellini – O capitão. Foi o primeiro a erguer a taça com as duas mãos, a pedido dos fotógrafos[reference:42].
Just Fontaine – O artilheiro da Copa com 13 gols[reference:43], um recorde que permanece até hoje.
Brasil e Suécia se encontram na decisão
O Brasil passou invicto pela fase de grupos (2 vitórias e 1 empate). Nas quartas, venceu o País de Gales por 1×0. Na semifinal, goleou a França por 5×2[reference:44].
A Suécia, anfitriã, também fez uma campanha sólida. Venceu o Grupo 3, com vitórias sobre México (3×0) e Hungria (2×1), e empate com o País de Gales (0×0). Nas quartas, derrotou a União Soviética por 2×0. Na semifinal, venceu a Alemanha Ocidental por 3×1.
29 de junho de 1958 – O dia da consagração
29 de junho de 1958 – Estádio Råsunda, Solna (Estocolmo). Público de 49.737 espectadores[reference:46]. A final colocou frente a frente o Brasil, em busca do primeiro título, e a Suécia, anfitriã que sonhava com o inédito[reference:47].
O jogo – A Suécia começou melhor. Aos 4 minutos, Nils Liedholm abriu o placar para os suecos[reference:48][reference:49]. O Brasil não se abateu. Aos 9 minutos, Vavá empatou[reference:50]. Aos 32 minutos, Vavá marcou novamente e virou o jogo: 2×1 para o Brasil[reference:51].
O segundo tempo – O Brasil dominou. Aos 10 minutos, Pelé fez um dos gols mais bonitos da história das Copas: dominou no peito, deu um chapéu no defensor e chutou para o gol[reference:52]. 3×1. Aos 23 minutos, Zagallo ampliou para 4×1[reference:53]. A Suécia descontou com Simonsson aos 35 minutos[reference:54]. Mas, aos 44 minutos, Pelé marcou seu segundo gol na final, de cabeça, fechando o placar em 5×2[reference:55].
O título – O Brasil venceu por 5×2 e conquistou o primeiro título mundial de sua história[reference:57]. Foi a primeira vez que uma equipe europeia não conquistou uma Copa disputada na Europa[reference:58]. A final também detém o recorde de mais gols marcados em uma final de Copa do Mundo (7 gols)[reference:59].
A coroação de um sonho de décadas
O fim do jejum – O Brasil havia tentado conquistar o título em 1930, 1934, 1938, 1950 e 1954. Em 1958, finalmente, o sonho se tornou realidade[reference:61]. A vitória sobre a Suécia na final foi a coroação de uma campanha brilhante, com 5 vitórias, 1 empate, 16 gols marcados e apenas 4 sofridos[reference:62].
A superação do trauma – O Maracanazo de 1950 e a eliminação para a Hungria em 1954 ainda doíam na memória dos brasileiros[reference:63]. A conquista de 1958 libertou o país do peso do fracasso e consolidou o Brasil como uma potência do futebol mundial.
O reconhecimento mundial – O futebol brasileiro encantou o planeta. A imprensa internacional elogiou o "jogo bonito" da seleção. Pelé, Garrincha, Didi e os outros craques se tornaram ícones globais.
O nascimento do Rei do Futebol
O menino de 17 anos – Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, chegou à Suécia como um jovem promissor do Santos. Com apenas 17 anos, ele era o mais jovem jogador da Copa[reference:65]. No início, era reserva de Joel e Dida[reference:66].
A estreia como titular – Pelé e Garrincha entraram como titulares pela primeira vez no terceiro jogo do Brasil, contra a União Soviética[reference:67][reference:68]. A partir daí, mudaram o rumo da Copa[reference:69].
O primeiro gol – Nas quartas de final, contra o País de Gales, Pelé marcou seu primeiro gol em Copas, tornando-se o mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo (17 anos e 239 dias)[reference:70].
O hat-trick contra a França – Na semifinal, Pelé fez três gols contra a França[reference:71]. O mundo viu o nascimento de uma lenda.
Os gols na final – Pelé marcou dois gols na final contra a Suécia[reference:72], incluindo um golaço em que dominou no peito, deu um chapéu no defensor e chutou para o gol[reference:73]. Ele se tornou o mais jovem jogador a marcar em uma final de Copa (17 anos e 249 dias)[reference:74].
O primeiro título de uma dinastia
Campanha – O Brasil venceu 5 jogos (Áustria, União Soviética, País de Gales, França e Suécia) e empatou 1 (Inglaterra). Foram 16 gols marcados e 4 sofridos[reference:75].
Jogadores – O elenco campeão contava com grandes nomes: Pelé, Garrincha, Didi, Vavá, Zagallo, Nílton Santos, Djalma Santos, Bellini, Zito e Gilmar[reference:76].
Técnico – Vicente Feola comandou a equipe com maestria[reference:77]. Sua principal jogada tática foi lançar Pelé e Garrincha como titulares a partir do terceiro jogo[reference:78].
O primeiro de cinco – O título de 1958 foi o primeiro de cinco conquistas brasileiras (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). O Brasil se consolidou como a maior potência do futebol mundial.
Números que contam a história
Destaques: O Brasil teve o melhor ataque da fase de grupos (5 gols) e a melhor defesa (nenhum gol sofrido)[reference:79]. A França teve o melhor ataque geral, com 11 gols na fase de grupos[reference:80].
Fatos que você talvez não conheça
Como o primeiro título mudou o futebol brasileiro
A consolidação do futebol-arte – O Brasil de 1958 mostrou ao mundo que o futebol podia ser arte. A ginga, os dribles, os passes precisos e os gols de Pelé e Garrincha encantaram o planeta. O "jogo bonito" se tornou a marca registrada do futebol brasileiro.
O fim do trauma – O título de 1958 libertou o Brasil do peso do Maracanazo e da eliminação para a Hungria. A partir daí, a seleção passou a jogar com mais confiança e tranquilidade[reference:90].
A ascensão de Pelé – Pelé se tornou o maior jogador de futebol de todos os tempos. Sua genialidade inspirou gerações e elevou o futebol a um novo patamar[reference:91].
O início de uma dinastia – O título de 1958 foi o primeiro de cinco conquistados pelo Brasil. A seleção se tornou a maior vencedora da história das Copas.
O impacto no Brasil – A conquista uniu o país em um momento de otimismo e desenvolvimento. O futebol se tornou um símbolo da identidade nacional e uma fonte de orgulho para os brasileiros.